São Paulo - A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) prometeu que sairá nesta semana a definição do "caso Kevin", que rendeu uma punição ao Corinthians de jogar sem torcida como mandante na Libertadores, além de não receber ingressos como visitante.
"Com certeza não vai passar dessa semana. Quando houver uma punição, estará no quadro de comunicados em nosso site. Não sei o que será decidido, está nas mãos do Comitê", disse Nestor Benítez, assessor da Conmebol.
Quem definirá a suspensão, mudança ou manutenção da punição será o Comitê Disciplinar da Conmebol. O órgão é presidido pelo brasileiro Caio Cesar Vieira Rocha que, por tratar de uma questão de clube de seu país, não vai participar da decisão. O vice-presidente Adrián Leiza, uruguaio, é quem estará à frente do caso.
Um dirigente da entidade ouvido pela reportagem, que preferiu manter a identidade em sigilo, disse que uma saída boa para o caso é permitir a presença de torcedores nos jogos do Corinthians como mandante e manter a punição para os jogos como visitante. Essa ideia, porém, não é a oficial do Comitê.
O departamento jurídico do Corinthians entrou com novo recurso junto à entidade sul-americana, na última quinta-feira, com a intenção de pedir agilidade no julgamento ou, pelo menos, suspensão da medida cautelar que impede torcida como mandante. O clube espera ter torcedores no Pacaembu no duelo contra o Tijuana (MEX), no dia 13 de março. Para este jogo, antes mesmo de todo o imbróglio, já haviam sido vendidos mais de 27 mil ingressos através do Fiel Torcedor.
Na última quarta-feira, já com a punição imposta, o Timão jogou com portões fechados na vitória por 2 a 0 sobre o Millonarios (COL). No entanto, quatro torcedores, com uma ordem judicial, entraram no estádio e assistiram ao duelo da numerada. Antes da partida, os advogados alvinegros se reuniram com os torcedores, na tentativa de demovê-los da ideia de entrar. O clube teme uma reação negativa da Conmebol, apesar de a entrada dos torcedores, no ponto de vista jurídico, não ser prejudicial. Na liminar, os fiéis contestavam a decisão da Conmebol.
De acordo com os dirigentes alvinegros, o clube não é culpado pela tragédia do dia 20 de fevereiro, em Oruro. Na ocasião, o garoto boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, foi morto atingido por um sinalizador naval, atirado por um torcedor corintiano durante a partida entre San José (BOL) e Corinthians. Desde o dia do jogo, 12 corintianos permanecem presos na Bolívia, indiciados como culpados ou cúmplices do homicídio. No Brasil, o menor H.A.M, de 17 anos, apresentou-se na última semana na Vara da Infância e da Juventude, em Guarulhos (SP), assumindo a culpa. Quem o levou para depor foi o advogado da Gaviões da Fiel, maior uniformizada do clube.

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