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Esporte

m de leitura Atualizado em 20/01/2022, 11:47

Conheça Eileen Gu, chinesa nascida nos EUA que deve brilhar nos Jogos de Inverno

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

DANIEL E. DE CASTRO
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Eileen Gu, esquiadora de 18 anos nascida e criada nos Estados Unidos, reúne vários atributos para se tornar a grande sensação das Olimpíadas de Inverno de Pequim-2022. A começar pelo fato de ser uma atleta da casa. Sim, Gu disputará os Jogos como representante da China, país de origem de sua mãe.

A nacionalidade não é o único aspecto curioso sobre a jovem fenômeno do esqui, que já possui uma série de conquistas, patrocinadores e nos últimos anos se dividiu com excelência entre o esporte e os estudos, além de trabalhos como modelo.

Saiba mais sobre Eileen Gu e por que você ainda deverá ouvir falar muito sobre ela.

TÍTULOS PRECOCES

Os Jogos de Pequim, a partir de 4 de fevereiro, serão o primeiro megaevento da carreira de Gu, mas nos últimos anos ela mostrou os motivos por que chegará badalada à competição.

A chinesa compete no esqui estilo livre, disciplina que reunirá 13 eventos em Pequim-2022. É possível que Gu participe de três deles: halfpipe, slopestyle e big air. Todos são provas de notas, nos quais os atletas são avaliados por suas manobras e habilidades técnicas.

Em 2021, ela conquistou duas medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Aspen, no halfpipe e no slopestyle (modalidade que lembra o skate street, com rampas, mesas e corrimões), além de uma medalha de bronze no big air (modalidade de saltos). Foi um desempenho inédito no esporte, obtido mesmo com um dedo fraturado.

No mesmo ano, a jovem também se tornou a primeira mulher a ganhar três medalhas em sua primeira aparição nos X Games e a primeira atleta da China a ser campeã do tradicional evento de esportes radicais.

Em 2020, Gu disputou os Jogos Olímpicos da Juventude de Lausanne e conquistou também três medalhas, dois ouros (halfpipe e big air) e uma prata (slopestyle).

TENSÃO COM EUA

Eileen Gu nasceu em San Francisco, na Califórnia, em 2003. Ela foi criada pela mãe e pela avó, ambas chinesas, e ficou fluente tanto em inglês quanto em mandarim.

A mãe de Gu, Yani, que migrou para os EUA para estudar e também foi esquiadora, apoiou a carreira da filha. Durante o crescimento da atleta, a família continuou viajando à China com frequência.

Em junho de 2019, aos 15 anos, Gu anunciou sua decisão de competir pelo país-sede dos Jogos de Inverno. "Tenho orgulho da minha herança e igualmente da minha educação americana. A oportunidade de ajudar a inspirar milhões de jovens onde minha mãe nasceu é uma oportunidade única na vida de ajudar a promover o esporte que amo", afirmou em uma publicação no Instagram na época.

A escolha fez com que ela se tornasse uma celebridade dos esportes de inverno em dois mercados gigantescos, mas também gerou controvérsia e ataques nas redes sociais.

Como a política da China é de não reconhecer casos de dupla cidadania, ficou no ar a dúvida sobre a manutenção da sua cidadania americana. Recentemente, o jornal The Wall Street Journal tentou ouvir a equipe de Gu sobre o tema, mas não obteve resposta.

A frase diplomática que a esquiadora gosta de usar sobre o assunto é: "Quando estou nos EUA, sou americana; quando estou na China, sou chinesa".

Segundo o WSJ, não estão disponíveis dados sobre quantos cidadãos dos Estados Unidos renunciaram à sua cidadania para se tornar chineses, mas é raro que os americanos renunciem à cidadania de uma forma geral, já que o país permite mantê-la ao adquirir uma nova.

O que torna a história de Gu ainda mais curiosa é que EUA e China vivem um momento de considerável tensão política, econômica e social.

O governo de Joe Biden, assim como os de outras nações aliadas, vai boicotar diplomaticamente os Jogos de Pequim, sem enviar representantes políticos ao país para o evento. A medida é tratada como uma resposta às violações de direitos humanos cometidas pela ditadura chinesa, especialmente contra a minoria étnica dos uigures em Xinjiang.

ESTUDANTE DEDICADA

Na série documental "Everyday Eileen", produzida pela Red Bull sobre a vida da atleta, a esquiadora conta que os estudos sempre foram a prioridade de sua família. Ela é grata por ter permanecido numa escola tradicional em vez de migrar para o ensino a distância ou para escolas dentro de academias de esqui, como fazem outros atletas em ascensão.

"Foi importante estar em uma classe em que ninguém esquiava e sabia o que eu fazia. Eu não era a Eileen esquiadora, era só a Eileen da aula de matemática, e isso foi bom", disse.

Seu desempenho estudantil é tão notável quanto os feitos no esporte. Em 2020, ela concluiu dois anos acadêmicos comprimidos em um para poder antecipar o fim do equivalente ao ensino médio a tempo de se preparar exclusivamente para os Jogos de Pequim.

Antes disso, a chinesa não esquiava mais de 65 dias por ano. Seus concorrentes costumam treinar o dobro do tempo.

A dedicação aos estudos deu resultado. A nota dela no SAT (espécie de Enem dos EUA) esteve entre as melhores do país e a fez ser aceita na Universidade Stanford, conquista com a qual a atleta já sonhava bem antes de sonhar com as Olimpíadas. Gu pretende iniciar a vida acadêmica neste ano, passada a temporada esportiva.

CAPA DE REVISTAS

No perfil da atleta no Instagram, ela lista seus principais feitos no esqui e também o fato de ser uma modelo representada pela IMG Models.

Gu já foi capa das revistas Elle e Vogue e fez trabalhos para grandes marcas, como Tiffany, Louis Vuitton e Victoria's Secret.

Em 2019, ela participou da Paris Fashion Week a convite de uma marca chinesa.

"Eu acho que é muito importante ter uma vida completa e ser capaz de fazer várias coisas diferentes. Fui à Paris Fashion Week em 2019, que foi provavelmente a melhor semana da minha vida... Sem ofensas, esqui!", afirmou Gu ao Olympics.com.

ATIVISMO CONTRA XENOFOBIA

A chinesa quer que sua própria experiência multicultural sirva de exemplo para combater a xenofobia. Ela costuma se posicionar contra o preconceito e a violência sofridos pela população asiática nos EUA, problema que se acentuou na pandemia.

No seu Instagram, há uma aba fixa com os stories que ela já publicou sobre o assunto, assim como mensagens de apoio ao movimento Black Lives Matter.

"Não foi a pandemia que criou esses problemas. Eles sempre existiram e agora estão revelados em uma grande escala", afirmou em uma das postagens.