Congresso pode propor só uma reeleição na CBF
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Silvio Bressan 
São Paulo, 31 (AE) - O reinado da maioria dos dirigentes do futebol brasileiro, que está há vários mandatos no mesmo cargo, pode estar com os dias contados. Isso porque o senador Maguito Vilela (PMDB-GO), relator da comissão mista do Congresso que estuda mudanças na Lei Pelé, está querendo proibir mais de uma reeleição para presidentes de federações e confederações. "Não há o mesmo limite para prefeitos, governadores e presidente da República?", pergunta o relator. "Por que com os dirigentes de futebol seria diferente?"
Além da proibição de mais de uma reeleição, Maguito está pensando em ampliar o colégio eleitoral dessas disputas. Nas confederações, hoje, só votam os dirigentes de federações, que, por sua vez, são escolhidos apenas pelos presidentes de clubes. "Acho que os atletas também podem ter direito a voto", avalia. "É preciso ampliar e democratizar essas eleições."
A medida acabaria com o reinado da maioria dos dirigentes, como Eduardo José Farah, que há 12 anos está no comando da Federação Paulista de Futebol, ou Ricardo Teixeira, desde 1989 na presidência da Confederação Brasileira de Futebol.
O caso mais clássico, porém, é o do ex-presidente da Federação Brasileira de Judô, Joaquim Mamede, que reinou durante quase 20 anos e depois legou a entidade ao filho Joaquim Mamede Jr., atual presidente. "Só Fidel Castro ficou tanto tempo no poder"
chegou a dizer o filho do ex-presidente.
A iniciativa de Maguito, aliás, surgiu depois do depoimento do judoca Aurélio Miguel, medalha de ouro em Seul-88, na quinta-feira da semana passada. Depois de brigar muito com a família Mamede, Aurélio teve a carreira prejudicada em diversos momentos, chegando até a ficar fora de campeonatos mundiais.
Na comissão, Miguel pediu eleições mais transparentes. "É um pleito muito justo", avalia Maguito. "Quanto tempo esses dirigentes, que não tiveram o voto dos atletas, estão mandando nesses esportes?".
Emenda - Apesar dessa disposição, não será uma missão fácil. A própria Constituição concede, no artigo 217, "autonomia às entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento". Para mudar alguma coisa, seria necessária uma emenda constitucional. "Não sei se a comissão terá força para fazer essa mudança", admite o senador. "Mas, se for preciso, posso apresentar depois uma emenda à Constituição."
Outro argumento, sempre usado pelos dirigentes, é que se tratam de entidades privadas, que não estão sujeitas à interferência do Congresso ou do governo. "Isso não existe", rebate Maguito. "O futebol, como o esporte em geral, é patrimônio público e essas entidades recebem incentivos e dinheiro de loteria."


