Confusão no Morumbi não preocupa São Paulo
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Fernando Faro <br>Agência Estado 
São Paulo - A confusão envolvendo jogadores e comissão técnica do Tigre e seguranças do São Paulo não causa qualquer preocupação na diretoria com possíveis desdobramentos do caso para a disputa da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana do ano que vem. Mesmo diante das acusações dos argentinos de que seguranças do clube apontaram uma arma para o goleiro Albil, ninguém acredita que o clube possa sofrer sanções da Conmebol para a disputa dos torneios em 2013, como suspensão ou perda de mandos de campo.
Os dirigentes se resguardam na posição da entidade em reconhecer o clube como legítimo campeão e entregar o troféu para justificar a posição. Mesmo tendo seu presidente Nicolás Leoz presente no Morumbi e vendo com os próprios olhos todo o episódio de violência, a entidade máxima do continente não se pronunciou a respeito e sequer sinalizou que tipo de providências pretende tomar.
No site da Conmebol, uma nota de quatro linhas ressalta o título do São Paulo e diz que a partida foi encerrada precocemente porque "os jogadores do Tigre alegaram que foram agredidos por seguranças". Nicolás Leoz é aliado antigo do presidente Juvenal Juvêncio e costuma se dizer são-paulino.
A segurança de que o clube não será punido é tamanha que a preocupação maior está na invasão de parte da torcida após o fim da partida. "Quando faltam dez minutos para o jogo, os seguranças se distribuem ao redor do anel inferior justamente para evitar uma invasão, mas o árbitro encerrou de repente, não nos avisou antes", justificou o assessor especial da presidência, José Francisco Manssur. A expectativa é que o clube tricolor receba apenas uma multa.
Acusações
Seis integrantes da delegação do Tigre prestaram depoimentos na madrugada desta quinta-feira, após o jogo, na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro de São Paulo. O goleiro Albil, o lateral Orban e o volante Galmarini (que levou três pontos por causa de um corte na testa) fizeram exame de corpo de delito e sustentaram a versão de que foram agredidos sem nenhum motivo pelos seguranças.
Um corredor de cerca de 40 metros separa os dois vestiários e a reportagem registrou muitas manchas de sangue no percurso do confronto. Não existem câmeras de segurança no local. O clube argentino divulgou em seu perfil no Facebook fotos de alguns jogadores feridos. "O que aconteceu estava tudo orquestrado desde que chegamos a São Paulo. Queriam tornar nossa vida impossível e utilizaram até mesmo o recurso da agressão", comentou o técnico Néstor Gorosito, no desembarque em Buenos Aires.
Além da briga, pessoas que viajaram com o grupo reclamaram do tratamento recebido durante toda a passagem pelo Brasil. Entre os pontos de discórdia estão a alegada demora para o São Paulo entregar os ingressos para o jogo e a proibição dos jogadores fazerem o treino de reconhecimento do gramado. "Vimos hoje (quarta) uma vergonha para o futebol brasileiro, um país que vai sediar a próxima Copa do Mundo e Olimpíada", criticou Fernando Galmarini, pai do volante do Tigre.
O São Paulo deu de ombros para as acusações e disse estar seguro que os fatos serão esclarecidos.


