Confirmada fraude na ficha de Rodrigo Gral
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 19 (AE) - O atacante Rodrigo Gral, do Grêmio, tem 23 anos e não 21 como estava na sua ficha de amador no clube. A constatação da fraude foi feita pelo departamento jurídico do clube e através de inquérito policial. Na terça-feira (18), o Grêmio enviou a documentação correta à Federação Gaúcha de Futebol (FGF), solicitando a retificação nos registros referentes ao jogador. Segundo sua assessoria, o clube não teme punições por ter escalado Gral em várias partidas ao longo de 1999. O argumento utilizado é de que já transcorreu o prazo para reclamações pela participação do atacante. A última partida valendo pontos do Grêmio foi o Gre-Nal (1x1) da Seletiva da Libertadores, no final de 1999.
Quando surgiu a suspeita, o clube tomou a decisão de afastar Gral de jogos oficiais até que o caso fosse esclarecido. O confronto de documentos, feito pelo clube, indicou que o jogador nasceu em 21 de fevereiro de 1977, em Caxambu do Sul/SC, e não no mesmo dia e mês de 1979. A adulteração foi constatada também pela 2a. Delegacia de Chapecó, Oeste de Santa Catarina que, desde 15 de dezembro do ano passado, investigava uma tentativa de extorsão contra familiares do jogador residentes no município.
"A falsificação é grotesca", descreveu hoje o delegado Alberto Cargnin Filho, de Chapecó, encarregado do inquérito.
Porém, ao contrário da pesquisa do clube, o delegado sustenta, com base em prontuário do Instituto de Identificação local, que Gral tem um ano a mais (teria nascido em 1978) e não dois além do declarado na papelada. "Ele tem 23 anos", reiterou o vice-presidente jurídico do Grêmio, Roberto Bersch, após promover um varredura na documentação do departamento amador gremista. Bersch acha que Gral não alterou sua documentação e suspeita que a rasura foi feita em 1990, época em que o atacante tinha 13 anos e apenas atuava em equipes de futebol de salão.
O boato de que Gral era "gato" - atleta cuja documentação indica idade inferior à verdadeira - ganhou intensidade quando seus familiares foram procurados por dois homens. Dizendo saber que Gral tinha idade superior a apontada pelos papéis, eles pediram dinheiro - chega-se a mencionar R$ 50 mil, mas Cargnin não confirma a quantia - em troca do seu silêncio sobre a fraude. Uma ocorrência foi registrada na polícia local que começou a averiguar o episódio.
Rodrigo Gral chegou ao estádio Olímpico em 1994, quando passou a integrar as categorias inferiores. Além de jogar pelo Grêmio, ele disputou várias competições internacionais por seleções brasileiras das categorias amadoras, entre elas o Mundial junior da Nigéria, no ano passado. "Enviamos uma carta precatória pedindo à polícia gaúcha para ouvir o jogador", contou Cargnin Filho. O delegado notou que a falsificação de documento público pode levar a uma pena de reclusão de até seis anos. Também solicitou que todos os clubes pelas quais Gral jogou - Grêmio e Juventude, no Rio Grande do Sul - e as federações gaúcha e catarinense, além da CBF, remetam a ficha do atleta à 2a. Delegacia de Chapecó.


