CONFINS DO FUTEBOL - Brasileiros tentam a sorte em pequenos países
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sábado, 07 de julho de 2007
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ao falar em brasileiros que atuam no exterior já vem à cabeça craques como Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Robinho, com seus salários de contos de fada, seus carrões, suas mansões e as mulheres maravilhosas que os acompanham na badalada e milionária elite da bola mundial. No entanto, a grande maioria de brasileiros que atua fora do País vive outra realidade. Eles deixam família, amigos e uma vida no Brasil para desbravar os confins do mundo em busca de um salário melhor com a oportunidade de manter vivo o sonho de vencer na vida através do futebol.
A cada ano é maior o número de brasileiros que partem para esses novos mercados futebolísticos em busca de um lugar ao sol. Os países, os clubes e as histórias desses jogadores são os mais exóticos e surpreendentes possíveis. Gente que perdeu espaço no Brasil, gente que nunca teve espaço. Uns que nem imaginavam ser jogador, outros que haviam perdido a vontade de seguir no esporte depois de tantos tombos.
Somente em 2006, foram negociados com o futebol do exterior 851 jogadores brasileiros de acordo com os registros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Portugal foi o país que mais recebeu atletas - 142 somente no ano passado. No Paraná, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) registrou 80 transferências internacionais. O campeão no Estado foi o Matsubara, que mandou 12 jogadores para o exterior, sendo sete para o Vietnã. O Atlético vem na sequência, com dez negociações. O Iraty é o terceiro do Estado, com sete atletas enviados para fora do País. No Brasil, o Cruzeiro foi o clube que mais negociou jogadores com equipes do exterior em 2006 - 20 transferências.
A lista tem as mais diversas nações. Lugares onde é difícil até de imaginar que o futebol é praticado, como as Ilhas Faroe, no Norte europeu, e Brunei, no Sudeste asiático.
A justificativa de todos os emigrantes da bola é a busca por um salário digno e a independência financeira. A maioria faz parte do grupo que ganha salários entre R$ 500 e R$ 1 mil, que conviviam com atrasos de três, quatros meses no pagamento e com os constantes calotes de clubes brasileiros falidos. Porém, alguns obtêm sucesso na saída do País, outros retornam com a decepção de encontrar um panorama semelhante ao daqui.
''Às vezes, você acha que resolveu um problema e acaba arrumando outro'', afirma Rogério Dioti, agente Fifa e um dos sócios da Ethisports, de Curitiba, que cuida dos negócios de atletas como os laterais Athirson, que deixou o Bayer Leverkusen esta semana, e Fábio Aurélio, do Liverpool. ''Os jogadores têm problemas de adaptação, ficam escondidos e você tem dificuldade de recolocá-los em outro mercado'', continuou Dioti, ressaltando que prefere abrir mão desses mercados mais, digamos, exóticos.
Para Dioti, são vários os motivos da debandada. ''Uma parte deles pela ilusão que se tem de que jogar no exterior é a solução para todos os problemas. Produzimos mais jogadores que o nosso mercado pode absorver, principalmente no segundo semestre quando o número de clubes em atividade cai muito. Outro fator é que empresário prefere trabalhar com clubes do exterior em vez de brasileiros, no quais a baderna e os esquemas imperam. Lá fora não há calotes porque os salários são baixos. O rei do calote é o Brasil mesmo'', dispara.
Já o advogado Hélio Camargo, diretor jurídico do CAC/Portuguesa, virou um especialista nestas negociações. Há dez anos abrindo mercado para jogadores em países onde o futebol é só uma lenda, ele acredita que esse tipo de transferência pode ser a solução para os jogadores de menor expressão e também para os clubes pequenos.
Camargo defende a ida de atletas para países de pouca ou nenhuma expresão no futebol como preparação para, em um segundo momento, colocá-los já preparados em um grande centro. ''O jogador precisa primeiro se internacionalizar para depois pensar em Europa'', opinou.
Mas faz ressalvas. Os jogadores sabem que o risco de serem passados para trás é zero, pela legislação desses países. Entretanto, eles sabem também que não podem fazer coisa errada porque vão se dar mal'', avisou o advogado.


