Confiante, Garcia descarta rebaixamento
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
''Tem que ser igual ao cara que está doente, tem que continuar acreditando que pode se recuperar''. A frase é do presidente do Londrina Carlos Alberto Garcia, confiante que o clube não será rebaixado para a Terceira Divisão em 2005, ao final da Série B do Campeonato Brasileiro. Um dos maiores ídolos da história do LEC, Garcia enumerou à reportagem da Folha vários problemas que levaram a equipe a ser a pior do atual campeonato e assume a responsabilidade pelo virtual rebaixamento.
O presidente reconhece que o fato de ter uma atividade paralela é gerente regional do Consórcio União vem atrapalhando sua gestão à frente do clube. ''Teria que ficar 24 horas, por dia, no clube. Sabia que enfrentaria problemas, mas não achava que o clube teria tantas dificuldades financeiras'', comentou.
A falta de dinheiro, segundo ele, foi o maior responsável pela dificuldade em montar uma equipe competitiva no início do campeonato. ''Há dois meses fizemos uma reunião e definimos que precisaríamos aumentar o teto salarial para não passarmos vergonha. Nos últimos jogos a equipe melhorou e não estamos envergonhando nossa torcida'', declarou Garcia.
Para contratar jogadores mais experientes, como o zagueiro Edinho Baiano, que melhoraram a qualidade do elenco, a direção tomou uma medida drástica: aumentou a despesa e diminuiu a receita. O aumento dos gastos refletiu diretamente no caixa do clube. ''Estamos devendo para fornecedores e falta pagar parte do salário desse mês dos jogadores'', reconheceu Garcia, que lamenta não contar com o apoio de empresários locais.
As receitas fixas do clube são provenientes da Futebol Brasil Associados (FBA) e da Sercomtel. Desde o início da Série B, a FBA repassou três parcelas de R$ 70 mil, faltando outras três no mesmo valor. Já a Sercomtel, que tem contrato com o clube até o dia 31 de dezembro, paga R$ 50 mil por mês para estampar seu nome na camisa do time. Se o rebaixamento for concretizado, o LEC perderá o dinheiro da FBA (leia texto abaixo).
Além da falta de recursos para contratar, o pouco dinheiro que havia foi desperdiçado em jogadores que não ajudaram em nada. ''Alguns jogadores vieram para cá para brincar com coisa séria'', reclamou Garcia, sem revelar nomes. Questionado se os responsáveis por essas contratações equivocadas foram Raul Plassmann e Lico, ex-diretores, Garcia preferiu assumir a responsabilidade. ''A culpa é minha. Fui eu que avalizei. Fiquei muito tempo afastado do futebol e isso me prejudicou também'', completou.
Mesmo não querendo dividir a responsabilidade pela crise no Londrina, Garcia garante que não se arrepende de nenhuma medida tomada à frente do clube. Sobre o futuro, o presidente prefere esperar o término do campeonato para se pronunciar. ''Depois que estiver tudo definido vou me reunir com a diretoria, com o Conselho Deliberativo e com a imprensa para falar sobre o meu futuro e o do clube'', adiantou o presidente, que não descartou a possibilidade do futebol do clube ser terceirizado. ''Vamos analisar tudo que for bom para o Londrina'', concluiu.


