Comunidade em Londrina comemora vitória
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de junho de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O ambiente foi especialmente preparado para a ocasião. Bandeiras e camisas dos clubes lusitanos decoravam o local. Muita pipoca, tremoço e cerveja para amenizar a ansiedade. E nem o torcedor mais fanático da seleção de Portugal esperava uma vitória tão emocionante da equipe comandada pelo técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari.
A batalha contra os holandeses foi acompanhada por um animado grupo de portugueses e descendentes na Casa de Portugal de Londrina, na Zona Leste da cidade. O apito final, após as confusões e expulsões e, claro, o gol de Maniche, deixou os torcedores mais otimistas para as próximas fases da Copa do Mundo.
Não esperava um sufoco tão grande. Foi uma vitória muito difícil, uma quebradeira geral. Mas, quem sabe, do jeito que o time está jogando, nós até podemos chegar lá, opinou o presidente da Casa de Portugal de Londrina, Adelino Ferreira, 57 anos.
E, a exemplo dos companheiros, Ferreira não deixou de sofrer nem por um minuto durante a partida. O tempo todo os torcedores arriscavam palpites e davam dicas. Uma prova que cada português também é um técnico de futebol, como os brasileiros.
Já os elogios a Felipão eram unanimidade. Os torcedores também foram unânimes ao criticar o juiz na hora da expulsão de Costinha. Agora é hora de ranger os dentes, diziam os torcedores. E a alegria tomou conta de todos com o apito final.
Para o assistente administrativo financeiro Jarbas Martins, 57, descendente de portugueses, o grande mérito do time foi a vontade de vencer. A Holanda não queria jogar bola, só queria catimbar. E Portugal jogou bem e com muita garra, analisou.
A torcida só discordava quanto ao time do coração na terra natal. A preferência do grupo é dividida entre os principais clubes lusitanos: Benfica, Porto e Sporting.
A reunião também contou com participação feminina. As mulheres acompanharam o jogo e também opinavam sobre o desempenho da equipe. Nascida em Leria, a dona-de-casa Lourdes Muniz, 68, considerou a partida um sufoco e disse acreditar que Portugal pode chegar ainda mais longe na competição.
Espanhola da Galícia, a dona-de-casa Amparo Pires, 67, conta que torceu para Portugal por causa do marido e que o coração não ficará dividido se o time de Felipão enfrentar a equipe da terra natal dela. Se a Espanha, Portugal ou o Brasil ganhar eu fico contente, garantiu.
Orgulhoso, Emílio Rodrigues, 79, exibia o quadro com os heróis da campanha portuguesa na Copa do Mundo de 1966. O time comandado pelo brasileiro Otto Glória, e que tinha o atacante Eusébio como a maior estrela, foi o terceiro colocado da competição disputada na Inglaterra. Para Rodrigues, essa seleção portuguesa era melhor do que a atual. Se Portugal passar da Inglaterra e perder para o Brasil eu já fico contente. Também, igual ao Brasil não tem ninguém nessa Copa, destacou.


