Sepang, 16 - A Fórmula 1 entra no ano 2000 com uma nítida tendência: ao adquirir equipes, ou parte delas, as empresas também estão utilizando-as como um grande investimento e não para divulgar suas marcas. E chama a atenção o fato de essas empresas não serem, necessariamente, do ramo automotivo, como a Red Bull, bebidas energéticas, sócia da Sauber, o grupo francês LVMH, produtor de perfumes e champanhes, novo parceiro de Alain Prost, dentre outros exemplos.
Desde que Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), arbitraram que não poderiam existir mais de 12 equipes no Mundial, as escuderias que já participavam da competição supervalorizaram-se. Com o anúncio, semana passada, de que a FIA
entenda-se Ecclestone e Mosley, passou a exigir uma caução de U$ 48 milhões de quem desejar ocupar a última vaga existente, reservada em princípio à Honda, os donos dos atuais times viram a cotação do seu negócio crescer ainda mais.
Está claro para essas empresas que apesar do investimento inicial para adquirir uma equipe ser elevado, ele pode vir a ser bastante compensador a médio prazo. Especialistas enxergaram já esse filão e o estão explorando. Desde o fim do ano passado a financeira inglesa Warburg Pincus é sócia de Eddie Jordan no seu time. Os carros de Heinz-Harald Frentzen e Damon Hill não divulgam o seu nome. Como a Jordan é também uma empresa e que dá lucro, a financeira acaba ganhando. Se o time for vendido então, com o valor que adquiriu, o investimento terá se transformado num negócio extraordinário.
Semana passada também o grupo Louis Vuitton Mo$t Hennessy (LVMH) comprou parte da Prost Grand Prix, com a mesma intenção da financeira inglesa. Seu investimento permitirá à Prost, por exemplo, pagar o uso do motor Mercedes a partir do ano 2001, caso a Peugeot deixe mesmo a F-1, como tudo indica. Se a organização de Alain Prost, com a Peugeot ou a Mercedes, fizer sucesso na F-1, atrair investimentos dos patrocinadores e receber mais pelos direitos de TV (proporcionais ao êxito no campeonato), o grupo francês verá o retorno do seu dinheiro, provavelmente com bom lucro.
A British American Tobacco (BAT) é a sócia majoritária na equipe BAR. Sua opção pela F-1 é ainda mais interessante, já que a partir de 2006 a publicidade de cigarros será proibida na Europa. Em cinco anos, a empresa investirá pouco mais de U$ 400 milhões na BAR, segundo divulgou.
Com a experiência de quem já patrocinou times como a Lotus, para divulgar sua marca John Player Special, e a Williams
os cigarros Camel, a BAT, agora proprietária, imagina ver o retorno do seu elevado investimento antes da proibição da propaganda tabagista. O negócio parece ser mesmo tão bom que dentro de alguns dias outra aquisição de escuderia de F-1 deve ser anunciada. A Telefônica será a nova sócia da Minardi. A Benetton é o exemplo mais antigo de empresa que ganhou dinheiro com a compra de uma organização de F-1.
Há ainda nesse universo milionário, onde os valores praticados quase nunca são conhecidos com precisão, o caso dos grupos industriais que são hoje os proprietários de times. A Mercedes oficializou a compra de 40% da McLaren e a Ford é dona da Stewart, anuncios feitos este ano.
Mais: a Ferrari pertence à Fiat e recentemente a BMW se associou à Williams, para fornecer seus motores e financiar seu projeto de F-1. O próximo passo é se tornar sócia de Frank Williams também. Por enquanto só uma equipe escapou dessas macroassociações, a Arrows, mas é uma questão de curto espaço de tempo.

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