São Paulo - Donald Mackenzie, sócio do grupo CVC, que detém cerca de dois terços dos direitos comerciais da F-1, declarou que a categoria estava envolta ''em sérios problemas'' quando os títulos foram colocados à venda, entre 2005 e 2006, e, por isso, a oferta feita pelos atuais proprietários pela compra das ações deveria ser encarada como ''um presente dos céus''.
A declaração foi dada durante depoimento no julgamento do ex-gerente do banco BayernLB, Gerard Gribkowsky, acusado de receber propina do mandatário do esporte, Bernie Ecclestone, para vender os títulos do banco ao CVC abaixo do valor de mercado.
Mackenzie justificou que o CVC era o único grupo disposto naquele momento a entrar em um negócio de alto risco, tendo em vista os inúmeros impasses vividos entre os organizadores e as equipes.
''A F1 estava envolta em um monte de problemas naquela época, incluindo a ameaça de que os times deixariam o campeonato'', explicou Mackenzie, de acordo com a agência de notícias Bloomberg.
''Nós éramos, na realidade, o único de uma série de pequenos grupos de companhias que poderia pagar pelas ações, portanto nossa oferta deveria ser encarada como um presente dos céus'', arrogou.
O sócio defendeu que o investimento na F1 representava ''o mais alto risco'' para o CVC, especialmente porque as montadoras estavam dispostas a romper com a FIA e criar um campeonato independente. ''Por isso era muito importante ter o Sr. Ecclestone ao nosso lado'', definiu.
De acordo com acusações do Ministério Público alemão, Gerard Gribkowsky teria recebido US$ 44 milhões (R$ 81 milhões) em propina de Bernie para subfaturar o valor das ações e facilitar a venda ao CVC.
Em troca, o ex-gerente teria devolvido o dinheiro ao chefão da F1 com recursos do banco, em duas remessas: de US$ 41,4 milhões (R$ 76 milhões) e US$ 25 milhões (R$ 46 milhões), nominados ao grupo Bambino, pertencente a Ecclestone, como pagamento por supostos serviços de consultoria.
O dirigente da principal categoria do automobilismo alega que foi chantageado por Gribkowsky a participar da ação. Parte do dinheiro da propina foi emprestada pelo ex-chefe da Renault, Flavio Briatore.

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