Comportamento de torcidas põe MP de sobreaviso
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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Emerson Couto 
São Paulo, 08 (AE) - O Palmeiras está, em breve, seguindo para Tóquio, em busca do mais importante título da história do clube. O Corinthians, atual campeão brasileiro, tem tudo para conseguir o bicampeonato nacional. Mesmo assim, torcedores de ambos os times, ligados a facções organizadas, conseguem tumultuar um ambiente que deveria ser tranquilo. "É uma atitude burra", define o promotor público Fernando Capez.
Há uma semana, na véspera do jogo contra o Guarani, na Academia do Palmeiras, torcedores da Mancha Alviverde, originada da extinta Mancha Verde, liderados por Paulo Serdan, fizeram um protesto contra alguns jogadores. Estes foram acusados de exagerar na vida boêmia. Serdan abusou das críticas e disse que os atletas poderiam conhecer "o lado ruim da Mancha." "O Serdan e a organizada são suspeitos de qualquer agressão, por exemplo, que possa acontecer com os atletas", afirmou Capez.
O promotor contou que estava satifeito com o comportamento dos membros da Mancha nos últimos tempos, digno de elogios. Mudou de idéia. "Eles traíram minha confiança."
No domingo, após a derrota por 2 a 1 para a Ponte Preta, no Pacaembu, um grupo de torcedores do Corinthians, sob o comando de Dentinho, presidente da Gaviões da Fiel, foi cobrar explicações do técnico Oswaldo de Oliveira pelo resultado. Também reclamou de atletas e da imprensa. Policiais militares, seguranças do clube e até o delegado corintiano Romeu Tuma Júnior tiveram de intervir para controlar a situação.
"Não tenho de dar resposta para presidente da Gaviões da Fiel; mas, sim ao meu empregador", comentou o treinador, no vestiário. "Foi a nossa quinta derrota no Brasileiro e, nas 13 vitórias, ninguém veio falar comigo." Rincón, capitão do time, é contrário a conversas com tais torcedores e o zagueiro João Carlos lamentou o exemplo ruim dado pelo líder da organizada.
A Gaviões, que ainda pode ser extinta por decisão judicial, fica em uma situação cada vez mais complicada, na opinião de Capez. A decisão do Tribunal de Justiça de acabar ou não com a Gaviões deve sair no início do ano 2000, pela previsão do promotor.
"Estes torcedores, seja do Palmeiras e do Corinthians, vão contra os interesses do clube, provam que não têm amor pelo clube o só querem afirmar seu poder", explica Capez. Mesmo sem violência, os protestos deixam o Ministério Público mais atento ainda.


