Rio - O legado do Pan-Americano de 2007 deixou de ser mera retórica apenas no Complexo Esportivo de Deodoro. Ao contrário dos gigantes adormecidos - Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo, Arena Multiuso e Engenhão (pista de atletismo) -, as quatro instalações de Deodoro se mantêm em plena atividade e já abrigaram dezenas de competições depois do Pan.
O espaço na Vila Militar, bairro da zona oeste do Rio, se aperfeiçoou nos últimos meses, com a criação de um laboratório para equinos e um ginásio para a prática de judô.
A ampliação da área esportiva está em curso com o projeto, já aprovado, de construção de uma moderna pista de atletismo, com arquibancada coberta e piso importado da Alemanha. A obra inclui ainda 112 suítes, auditório, refeitório e deve ficar pronta em 2010. Está orçada em R$ 11 milhões, numa parceria do Ministério do Esporte com a mineradora Vale.
O Complexo de Deodoro desponta como um oásis em meio à polêmica sobre a falta de uso das instalações esportivas do último Pan-Americano. Mas a promessa das autoridades até agora pouco valeu, principalmente para área de atletismo do Engenhão e para o Maria Lenk.
Elogiado por cavaleiros e amazonas de vários países, o Centro Nacional de Hipismo é a maior referência do Complexo. Recebeu a seletiva de saltos para a Olimpíada de Pequim e destaca-se agora com a criação recente do Laboratório de Avaliação do Desempenho de Equinos: um centro para exames clínicos, com esteira ergométrica, equipamentos de bioquímica e um andador eletrônico capaz de pôr em movimento oito cavalos ao mesmo tempo.
''O esporte sem apoio científico não vai sair do fundo de quintal'', define o coronel Sérgio Bernardes, assessor do Ministério do Esporte, responsável pelo Complexo de Deodoro - a praça esportiva menos badalada do último Pan e a única que, na prática, deixou algum legado.
Em outra instalação construída em Deodoro para o Pan, o Centro Nacional de Tiro Esportivo, os atiradores, em sua maioria, são atletas militares. O local já abrigou 35 competições (tiros de pistola, carabina e fuzil) desde o Pan, além da VI Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, em maio de 2008.
Dez vezes campeã brasileira de tiro ao prato, categoria fossa olímpica, Janice Teixeira costuma vir de Bento Gonçalves (RS) para treinar no Complexo. Ela compara a instalação brasileira com o que há de melhor em centros de tiro internacionais. ''Talvez só em Atenas, na Grécia, e em Sydney, na Austrália, existam centros de excelência como o do Complexo de Deodoro.''
Há no Brasil pouco mais de 30 atletas de alto rendimento no pentatlo moderno - modalidade que reúne natação, esgrima, tiro, corrida e equitação -, e quase todos desfrutam das instalações do centro nacional do esporte, outro destaque do Complexo de Deodoro. A piscina olímpica, suspensa sobre o que era um antigo campo de futebol, é ocupada diariamente por atletas de várias idades, e também pelos do Projeto Remando Contra a Corrente, formado por portadores de deficiência física.
''Em 2009 vamos ter aqui seis competições de biatlo (uma modalidade reduzida do pentatlo) com o objetivo de revelar novos atletas'', diz o coronel Roberto Criscuoli, presidente do Círculo Militar, clube onde se encontra a piscina. Para adequar o pentatlo às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), falta apenas a construção de uma arena para esgrima, o que será feito se o Rio de Janeiro ganhar a disputa com Chicago, Madri e Tóquio para ser o anfitrião dos Jogos de 2016. No Pan de 2007, a esgrima utilizou instalações provisórias.

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