Companheiros fazem festa para o goleiro herói
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domingo, 28 de novembro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 28 (AE) - Dida joga mais na seleção brasileira do que no Corinthians? Até hoje, os corintianos desconfiavam disso. Depois da atuação memorável, dois pênaltis defendidos, a dúvida não existe mais e a resposta da pergunta é: não. Jogando de forma pragmática, sem arriscar, o Corinthians foi dominado praticamente o jogo todo e, não fosse seu goleiro, poderia ter saído não com a vitória e sim com a derrota.
"O Nelsinho foi demais", disse Márcio Costa, referindo-se ao modo como Nélson de Jesus Silva, o Dida, é chamado carinhosamente pelos colegas. "A nossa vitória é mérito dele", afirmou Nenê. "O cara foi perfeito, demonstrou que tem estrela, espírito de campeão: pênalti é com ele mesmo", disse Marcelinho. Dinei e outros jogadores beijaram o goleiro após a defesa no segundo pênalti batido por Raí.
Dida, especialista em pegar pênaltis na seleção, havia defendido a sua primeira cobrança no Corinthians, na quarta-feira, contra o Guarani, e deixou o campo chorando, amparado pelos médicos. No lance da segunda penalidade, foi atingido por Raí, e sofreu um corte profundo no joelho direito. "Em princípio, não foi nada grave, mas precisamos de 24 horas para fazer uma avaliação mais precisa", disse o médico Joaquim Grava, que examinará o herói amanhã.
Nem só de pênaltis defendidos viveu Dida no jogo de hoje. De suas mãos saiu a bola para o contra-ataque que originou o pênalti sofrido por Edílson, que se transformou no terceiro gol corintiano. Aos 40 minutos do segundo tempo, defendeu com os pés uma falta cobrada por Marcelinho. Na sua única falha, uma saída errada no bombardeio aéreo do São Paulo, Dida contou com a ajuda de Márcio Costa, que salvou o gol em cima da linha.
Aliviado, o técnico Oswaldo de Oliveira reclamou de um pênalti não marcado pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, de Carlos Miguel em Edílson. Ele quer levar o Corinthians para o interior durante a semana para preparar o time.
Na euforia do vestiário corintiano, o único fato a lamentar foi o quinto cartão amarelo recebido pelo meia Marcelinho. Ele não poderá participar da segunda partida contra o São Paulo, no domingo que vem. "Foi feita justiça no lance do cartão: eu interceptei um lance de gol", disse o jogador.
O Corinthians ainda não desistiu de levar o segundo jogo para o Pacaembu, apesar da posição contrária da Polícia Militar. "Na minha opinião, é um contra-senso poder jogar na Vila Belmiro, no Brinco de Ouro e no Moisés Lucarelli e não poder no Pacaembu", disse o diretor José Roberto Guimarães.


