Marcos BorgesAbraço fraternalHeleninha (E) e Maria Helena: 40 anos de história do basqueteQuem vê a dupla Maria Helena Cardoso e Maria Helena de Campos, treinadora e assistente, sentadas no banco comandando o BCN/Osasco, jamais vão imaginar que ali estão 40 anos de história do basquete feminino do Brasil. ‘‘Nós somos como irmãs. Aliás nos consideramos irmãs’’, diz a treinadora. ‘‘Minhas irmãs consideram a Maria Helena como eu, uma só família’’, confirma Heleninha.
A treinadora nasceu em Descalvado (SP); Heleninha, em Piracicaba. ‘‘Comecei jogando na minha cidade e logo depois fui para o Pinheiros, de São Paulo. Em 55 fui para a seleção paulista e a Heleninha também. Depois disso fizeram um time em Piracicaba e nós duas fomos jogar juntas. Desde então estamos sempre juntas. Aliás, como minha família era de Descalvado, fui morar na casa da Heleninha em Piracicaba. Jogamos até 72 em Piracicaba’’, conta Maria Helena, que aos 16 anos foi convocada para a seleção brasileira e por 16 anos defendeu o Brasil em torneios internacionais, como jogadora. ‘‘Mais tarde foram outros oito anos como treinadora. Acho que foi uma boa contribuição’’, fala ela, com modéstia.
Após encerrar a carreira, Maria Helena não conseguiu deixar o basquete. A treinadora não sabe o que seria se tivesse que viver sem o basquete. ‘‘Realmente o basquete é a minha vida. Não constituí família, porque não quis deixar o basquete. Comecei no XV de Novembro de Piracicaba como treinadora, já ao lado de Heleninha. Dali para a Unimep e BCN, tudo em Piracicaba. Só em 92 me transferi para a Ponte Preta. Foram três anos e no final de 95 estava de volta ao BCN.’’ Maria Helena não sabe ao certo quantos títulos tem, ‘‘mas não são poucos, tanto como jogadora como treinadora.’’
As ‘irmãs’ Helena e Heleninha acreditam que as duas épocas do basquete brasileiro foram boas. ‘‘Como o homem tem evoluído muito, no basquete também é assim. Eu e Heleninha vivemos três épocas diferentes, como jogadoras e técnicas. Hoje está mais fácil, porque a gente tem as jogadoras mais tempo para treinar. Mas não tenho dúvida alguma de que, não nós duas, mas as jogadoras do nosso tempo, se adaptariam facilmente aos dias de hoje, porque eram muito técnicas. Jogavam com o coração.’’

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