Comitê fala em ingressos subsidiados para Jogos de 2016
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Daniela Milanese<br> Agência Estado 
Londres - Com o projeto mais caro entre as quatro cidades concorrentes a sede da Olimpíada de 2016, o comitê organizador da candidatura do Rio de Janeiro optou pelo conservadorismo na projeção dos recursos arrecadados com a venda de ingressos. Na apresentação do projeto em Londres, ontem, o secretário-geral do Rio/2016, Carlos Roberto Osório, disse que a ideia é oferecer ingressos acessíveis à população.
''Isso pode ser visto como um subsídio do governo para a compra de ingressos'', disse Osório. ''Se o governo está ajudando, é preciso ter a contrapartida social'', confirmou o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.
A intenção de facilitar o acesso dos torcedores já estava expressa no sumário executivo do projeto, que tem um capítulo intitulado ''Jogos Acessíveis para Todos''. Pela proposta, não haverá venda de ingressos casados - aqueles que misturam eventos de maior demanda com outros que não têm tanto apelo popular - e as sessões serão mais curtas, o que, segundo os organizadores, evitará a ocorrência de assentos vazios durante as competições.
O dossiê da candidatura, entregue na semana passada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), prevê investimentos de US$ 14,4 bilhões (R$ 32 bilhões), a cifra mais alta entre as outras concorrentes - Tóquio (R$ 17 bilhões), Chicago (R$ 7 bilhões) e Madri (R$ 6 bilhões). Para fazer frente aos aportes necessários, o Brasil conta com as três esferas de governo, a iniciativa privada e a contribuição do COI.
Os investimentos considerados operacionais, para a condução dos Jogos, somam US$ 2,8 bilhões. Desse montante, 45% deve vir do setor privado, 31% do COI e 24% dos governos. Os aportes para a conclusão da infraestrutura para o evento esportivo estão previstos em US$ 11,6 bilhões. ''O governo federal será a principal fonte de financiamento, porque ele é responsável pelos projetos que envolvem os maiores custos'', reconheceu Nuzman. No entanto, os organizadores não detalharam os porcentuais de participação da origem dos recursos.
Segundo Osório, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será uma das principais fontes de financiamento para a infraestrutura. O programa contempla, por exemplo, a reforma do aeroporto internacional Tom Jobim. Além disso, a candidatura do Rio ofereceu a garantia dos governos para a execução de cada projeto necessário, sendo que a parte federal é a mais expressiva. Isso significa que, caso não sejam encontrados parceiros privados, os governos entrarão com os recursos para a finalização das obras.
Nuzman apresentou como exemplo a construção da Vila Olímpica, na Barra da Tijuca. A previsão é de que o investimento seja privado, mas a Caixa Econômica Federal deu uma carta de garantia para o projeto. O mesmo foi feito para outras obras.


