São Paulo, 26 (AE) - Eles são empresários, profissionais liberais, estudantes, vendedores, delegado de polícia, homens mulheres, das mais diferentes idades. Nas últimas semanas têm-se reunido com alguma regularidade, para um curso. Apesar das diferenças crassas entre si, há um ponto em comum entre todos, capaz de levá-los a sacrifícios extremos: a paixão pela Fórmula 1. Hoje em Interlagos essa turma de abnegados voluntários, cerca de 350 pessoas, treinava para mostrar o que aprendeu e ser selecionada entre os 181 "privilegiados" comissários esportivos que trabalharão no GP do Brasil, de 24 a 26 no mesmo circuito.
A International Promotions, promotora e organizadora da prova, abriu este ano, pela primeira vez, a possibilidade de interessados auxiliarem na realização do evento. E bem de perto de seus protagonistas, os pilotos. A empresa cadastrou 500 pessoas que se inscreveram pela Internet. Terça-feira a comissão que trabalhou no projeto, liderado por Roberto Skortzaru, comissário desde a época do primeiro GP em São Paulo, em 1972, anunciará os escohidos, 66 para a área de pista, 55 de box e 60 para atuar na equipe de resgate.
Dentre os que regularmente se apresentam para o curso e aulas práticas há casos de amor platônico pela F-1. Adilson Passos, por exemplo, é empresário em Joinville, Santa Catarina. Duas vezes por semana, em média, ele desloca-se até São Paulo só para assistir às aulas e poder trabalhar na prova. "Antes eu via tudo da arquibancada, mas era pouco", diz. Outro empresário que não esconde seu fascínio pela F-1 é Daílton Ruas, de Leme. Ele e seus dois filhos também querem fazer parte dos que tomam sol o dia todo, por vezes chuva, dedicam-se das cinco horas da manhã até o final da tarde nos dias de GP, apenas pelo prazer de estar presente, sentir-se útil àquilo que tanto gostam e desejam.
O diretor de prova, Carlos Montagner, orientava ontem os futuros comissários como agir no caso de um piloto sair da pista no S do Senna. Já enfrente a linha de largada, Antônio Carlos Regal ensinava o procedimento para a retirada do grid de um carro que ficou parado.
Carlos Kassulis Vicente, dono de uma construtora, ouvia cada palavra dos instrutores. Já na sua primeira experiência como bandeirinha de uma corrida de F-1 sua ação teria de ser precisa. "Larguei tudo para fazer o que gosto de verdade", comentava ele ontem, torcendo para estar entre os selecionados.

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