Nos últimos anos, sempre que o Londrina precisava ''começar do zero'' a montagem de um novo time para os campeonato Brasileiro ou Paranaense, a diretoria geralmente optava por contratar alguns jogadores conhecidos da torcida, que já tiveram passagem pelo LEC e por isso se tornavam referência na equipe, dentro e fora de campo. Isso aconteceu em épocas distintas com o atacante Aléssio, os ''xerifes'' da zaga Ivanildo e Roberto Fonseca e, mais recentemente, com os meias Nem e Edmilson. E para o comando da equipe, muitas vezes se traziam treinadores de fora (do interior paulista, de Santa Catarina ou de outros clubes do Paraná), desconhecidos da torcida.
Dessa vez, para a montagem da equipe que está representando a cidade nesta Série C, a tática foi outra. No time titular a torcida não vê nenhum atleta conhecido, com exceção do zagueiro Alex, que está aqui desde o ano passado. Os demais são experientes, mas como a maioria veio de clubes do interior paulista, são caras novas para a torcida. Os conhecidos da equipe desta vez são os profissionais que estão no banco de reservas, todos ex-jogadores do Tubarão nas décadas de 80 e 90 (veja quadro ao lado).
Os cinco principais integrantes da atual comissão técnica do Londrina têm uma história no clube: o coordenador de futebol Sidiclei Menezes, o treinador Roberto Fonseca, o auxiliar-técnico Souza, o treinador de goleiros Carlão e o preparador físico Ocimar Bortolassi. Fonseca, Souza e Ocimar foram zagueiros do Tubarão, Sidiclei foi volante e Carlão, formado nas categorias de base do clube, ficou conhecido ao defender o gol do Botafogo-RJ de 1993 a 1997 foi campeão brasileiro em 95.
Além de Carlão, outro que vestiu a camisa de um grande clube brasileiro foi Fonseca, que depois de aparecer no Londrina de 1980 a 1984, foi vendido ao São Paulo e só retornou ao Alviceleste em 96. E quando se fala das categorias de base do LEC, surgem outros dois ex-jogadores do time, Lívio Vieira e Cambé, que hoje coordenam as equipes júnior, juvenil e infanto.
Para o presidente Agostinho Miguel Garrote, são muitas as vantagens de o Londrina ter em seus quadros ex-atletas. ''Decidimos trazer esses profissionais este ano por três motivos: em primeiro lugar, porque provaram ser competentes nos lugares onde passaram; segundo, porque são comprometidos com o clube e com a cidade e já estão ambientados aqui; por fim, porque estes profissionais dão condições à diretoria de planejar um trabalho a longo prazo''.
Garrote diz que a principal diferença entre trazer um técnico de fora ou um que seja ''cria'' da casa é que este último ''tem um nome a zelar na cidade, porque fez história no clube''.
Esse vínculo, segundo Garrote, ''reforça e redobra'' a responsabilidade desses profisionais com o Londrina. ''É diferente de trazer um técnico de fora que, ao primeiro sinal de crise, pega o chapéu e vai embora'', compara o presidente.

mockup