O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) faz amanhã a primeira reunião da comissão que irá investigar supostas irregularidades na arbitragem no Campeonato Estadual. A comissão foi formada após encontro no começo da semana na Federação Paranaense de Futebol (FPF), quando se levantou a hipótese de que árbitros estariam sendo subornados. A investigação não se restringirá apenas aos árbitros.
Segundo o presidente do TJD, Luiz Taques, irregularidades cometidas por dirigentes de clubes também serão apuradas. A comissão tem o poder de suspender os infratores permanentemente do futebol.
O presidente do Atlético Paranaense, Marcos Coelho, apóia a investigação. O clube já tem um histórico de conflitos com a Comissão de Arbitragem da FPF. O coordenador de marketing do Atlético, Mário Celso Petraglia, já fez críticas pesadas à arbitragem, posteriormente fazendo um pedido oficial de desculpas.
O episódio mais recente aconteceu nesta semana, quando um desentendimento com o diretor de futebol do Atlético, Valmor Zimmermann, resultou no pedido de demissão do diretor da comissão de arbitragem, José Carlos Marcondes. Ele alegou ter sido ameaçado de morte pelo dirigente atleticano. Zimmermann negou a ameaça, mas o caso foi parar na Justiça.
A árbitra Sueli Tortura afirma que ameaças vindas dos dirigentes são prática comum. ‘‘Durante o jogo os dirigentes passam fazendo ameaças, dizendo que vão pôr a torcida contra a gente. Se o árbitro não tiver a cabeça no lugar, acaba prejudicando algum time mesmo’’, acredita Sueli.
O presidente da Associação de Árbitros, Nelson Orlando Lehmkuhl, afirmou que irá incentivar os árbitros a levarem denúncias para serem apuradas pela comissão. ‘‘É hora de dar um fim nessa pressão. Os dirigentes não têm respeito pelo trabalho que desenvolvemos, e acham que estamos lá para favorecer seus clubes. O Marcondes fazia um bom trabalho, e é mais uma vítima do lado ruim do futebol’’, conclui.

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