Rio de Janeiro - Nada de punição, mas compreensão, carinho e reconhecimento foi o que o árbitro Márcio Rezende de Freitas (Fifa-SC) recebeu ontem do presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Edson Rezende. E a demonstração de afeto não ficou restrita a ele, mas a todos os juízes, já que o dirigente foi claro ao afirmar que os erros vão continuar a ocorrer e precisam ser compreendidos por todos.
''Se quiserem que os árbitros sejam punidos por erros deste tipo, por interpretação, vamos ficar sem juízes. Tem que haver bom senso!'', exclamou o presidente da Comissão. ''O ideal era que não acontecessem, mas os erros vão ocorrer e continuar ocorrendo, porque o árbitro é humano.''
Edson Rezende foi categórico ao sair em defesa do que considerou ser uma ''fatalidade'': o erro de Márcio Rezende, que não deu o pênalti do goleiro corintiano Fábio Costa sobre o meia Tinga, do Inter, durante o confronto de domingo, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. A partida terminou empatada por 1 a 1.
''Foi uma fatalidade. Assistia ao jogo e acho que o Márcio estava um pouco mal colocado, porque um contra-ataque rápido originou a jogada. E ele mesmo admitiu isso para mim ontem durante uma conversa por telefone'', destacou o presidente da Comissão de Arbitragem. ''Ele está abatido, chateado, mas o fato de o goleiro do Corinthians ter encolhido a perna o enganou e o Márcio pensou que não houve o toque.''
Na súmula enviada ontem à CBF, Márcio Rezende não fez nenhum alusão ao erro. Relatou que Tinga foi expulso ao 74 minutos da partida, ''por se jogar na área adversária na disputa de um lance com o goleiro, cavando uma penalidade máxima''. Em seguida, ressaltou que o atleta já havia recebido o cartão amarelo e, por isso, ao ser advertido com o segundo, foi excluído do confronto.
Para o presidente da Comissão de Arbitragem, Márcio Rezende agiu corretamente, porque interpretou o lance de acordo com sua subjetividade. E, na tentativa de preservar, além de ratificar o caráter idôneo do árbitro de Santa Catarina, passou a fazer comparações com os erros cometidos rotineiramente por jogadores.
''É impossível o Márcio ter tido má fé. Se for assim, a gente vai pensar que todo gol contra é má-fé, todo pênalti perdido por um jogador é má-fé, um frango do goleiro é má-fé'', argumentou o presidente da Comissão de Arbitragem.
De acordo com Edson Rezende, o árbitro só não será escalado para apitar na penúltima rodada do Brasileiro porque já havia sido programada uma partida em Santa Catarina, onde será homenageado. Mas, Edson Rezende foi enfático ao frisar que sua intenção é a de incluí-lo no sorteio da última rodada do Nacional.
Perdão negado A revolta dos colorados contra Márcio Rezende de Freitas estendeu-se pela segunda-feira em Porto Alegre. Nas ruas, torcedores vestindo a camisa do Internacional consideravam-se ''roubados'' pelo juiz que não deu um pênalti para o Colorado e ainda expulsou Tinga, num lance que poderia ter mudado a história do Campeonato Brasileiro deste ano. O presidente do clube, Fernando Carvalho, recebeu o pedido de desculpas do árbitro ao vivo, por telefone, num programa da RBS TV, mas não perdoou. ''Desculpa não vai colocar o taça no armário, não vai colocar a faixa no peito e nem o bicho no bolso do jogador'', disse o presidente do Internacional.

mockup