Curitiba, 16 (AE) - A Comissão da Fifa, que está no Brasil, inspecionou hoje o Estádio Joaquim Américo, do Clube Atlético Paranaense, e "elogiou as condições do local", segundo afirmou o diretor de Marketing do clube, Mário Celso Petraglia. Durante quase 2 horas, sem a presença da imprensa, a comissão liderada pelo norte-americano Alan Rothenberg, verificou todas as instalações, para determinar se o estádio poderia abrigar jogos do Mundial de 2006, caso o Brasil seja o escolhido para sediar a copa, como pretende.
Em seguida, o grupo almoçou com o ministro de Esportes e Turismo, Rafael Greca; com o governador paranaense, Jaime Lerner; e com o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi.
Greca defendeu a escolha do Brasil dizendo considerar "abominavelmente desaforada" a comparação entre as condições brasileiras e as apresentadas pela áfrica do Sul, país que também disputa a realização do evento, ao lado da Inglaterra, Alemanha e Marrocos. "Eles não têm a nossa estrutura", disse o ministro, afirmando ainda não ver razões para que a Copa do Mundo seja realizada mais uma vez na Europa, já que "o grande celeiro do futebol é o Brasil".
De acordo com o gerente de Marketing do Comitê de Candidatura da CBF, Oswaldo Arruda, a Comissão da Fifa se preocupa, basicamente, com 4 itens: os estádios, a estrutura de transporte urbano, acomodações e telecomunicações. À tarde, os executivos da Fifa fizeram um vôo de helicóptero e visitaram alguns pontos turísticos de Curitiba, incluindo a inspeção do transporte público da cidade, premiado internacionalmente.
"Se a copa vier para o Brasil, Curitiba certamente será uma peça significativa", disse o governador Jaime Lerner. Ele ressaltou que a cidade e o Estado já demonstraram competência na organização de grandes eventos, citando a Copa América, o Pré-Olímpico e os Jogos Mundiais da Natureza. O prefeito Cassio Taniguchi também se disse otimista e afirmou que, caso a pretensão brasileira se realize, vai significar a inserção de Curitiba "no mapa mundi para a realização de outros eventos, até, quem sabe, as Olimpíadas".
O estádio do Atlético Paranaense, também conhecido como "Arena da Baixada", concluído há cerca de um ano, "está dentro das especificações da Fifa", afirmou o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura. De acordo com Mário Celso Petraglia, presidente do clube à época de sua construção, pouca coisa teria de ser melhorada. O número de cabines para a imprensa teria de aumentar das 30 hoje existentes para 220; e o anel de arquibancadas teria de ser completado, aumentando a capacidade do estádio dos 30 mil de hoje, para 50 mil torcedores.
"O investimento necessário será de US$ 10 milhões, ou seja, um Adriano", brincou Petraglia, numa referência ao jogador do clube que está na Seleção Sub-23. Apesar de afirmar que Adriano não está à venda, o diretor de Marketing do Atlético Paranaense disse que a venda de jogadores é a única forma de o clube se capitalizar para fazer investimentos.
O ministro Rafael Greca disse que, nesta terça-feira, recebe a Comissão da Fifa em Brasília, e deve acompanhá-la a uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A comissão
que já esteve em Porto Alegre, inspeciona, ainda, estádios em Brasília, São Paulo e Rio.
E só vai se pronunciar em entrevista coletiva no dia 20, no Rio. Os executivos da Fifa não vão visitar as outras cidades brasileiras que também pretende sediar os jogos -- Belo Horizonte, Goiânia, Salvador, Recife, Fortaleza, Maceió, São Luís, Belém e Manaus. Sobre elas, vão receber informações impressas.