Jaguapitã - O município de Jaguapitã recebeu muito mais que um mero poeirão de terra vermelha que subia e descia durante o dia no último sábado. Foi um show de velocidade escondido dentro de um canavial, trechos de mata fechada e curvas com chicanes que alternam longas retas em pleno terreno acidentado. Um pequeno público formado por moradores da região e parentes dos competidores prestigiou a 2 etapa da Mitsubishi Cup, corrida de cross country que teve direito a capotamentos e reuniu pilotos e navegadores de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná.
Enquanto o público assistia à largada e a chegada do trajeto de 25 minutos, as duplas inauguravam a pista de 32 quilômetros na Fazenda Nova Maragogipe. Segundo o navegador Beco Andreotti, da X-Rally Team, a maior dificuldade da pista foi o terreno, composto por trechos de cascalho e areia que deixava o chão escorregadio. ''O hodômetro fica meio maluco. Você precisa estar atento a mudança de piso para 'cantar' a referência certa'', explica.
Ele observa que a função dos navegadores é deixar os ralis mais velozes, antecipando para o piloto os obstáculos que vêm pela frente. ''Um piloto de moto sozinho anda mais devagar do que se tiver um navegador na garupa nessa mesma pista. Ele tem alguém para olhar a planilha. Quando o piloto escuta o que o navegador está falando consegue baixar o tempo das voltas'', exemplifica.
Andreotti corre com o piloto Cristian Baumgart e são os atuais campeões da L200 Triton RS, categoria que surgiu em 2009 e a mais rápida do rali. Eles lideram a Triton, mas travam um duelo equilibrado decidido nos segundos com os também paulistas Reinaldo Varella e Edu Bampi. A disputa em Londrina foi parecida com São Carlos (SP). A X-Rally Team ganhou a primeira e Varella e Bampi, a segunda prova. O tira-teima ficou para última volta, prevalecendo o favoritismo dos atuais campeões.
''Na segunda volta nós chegamos oito décimos atrás. Mas na terceira conseguimos ser dez segundos mais rápidos. Na primeira etapa foi a mesma coisa. A história se repete. Lá vencemos a terceira volta com três segundos de diferença'', comemorou Andreotti.
Para Baumgart o segredo dos ralis de curta distância é a sincronia entre piloto e navegador. ''Mas isso só vem com o tempo'', acredita ele, dividindo a prova em três elementos. ''O carro que não deve quebrar, o navegador que não pode errar e o piloto tem que ser 100%. Além de contar com a sorte'', completa.
A dupla vice-líder Varella e Bampi está contente com o desempenho. Correndo pelo segundo ano na Mitsubishi Cup, Varella acredita que a ausência de disputas diretas é o ponto mais emocionante. ''Cada dupla larga um minuto depois da outra. Não há uma disputa de porta com porta, característico na maioria das corridas'', conta ele que corre no Rali dos Sertões e no ano passado participou do Rali Granada-Dakar.
A próxima etapa será no dia 12 de junho, em Mafra, Santa Catarina.

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