Começam hoje os Jogos Paraolímpicos
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
Marcos Freitas Enviado da Folha a Sydney 
Começa hoje a última Paraolimpíada do milênio. A cerimônia de abertura tem início às 8 horas (de Brasília) e deve reunir mais de quatro mil competidores de 118 países. O Brasil estará sendo representado por 64 atletas. A honra de entrar no Estádio Olímpico carregando a bandeira brasileira caberá aos atletas Luis Lima e Adria Rocha.
O Brasil entra na disputa amanhã no judô e basquete para deficientes mentais. Os judocas Helder Maciel e Alessandro Fabiano de Oliveira sobem no tatame para a disputa da primeira eliminatória às 3 horas (de Brasília). Se eles passarem para outra fase já concorrem a medalhas. No basquete o jogo acontece às 3h30 e o adversário é a seleção de Portugal.
A disputa do judô ainda é reservada apenas aos atletas masculinos portadores de deficiência visual. Eles são agrupados em seis categorias diferentes: ligeiro, meio-leve, leve, médio, meio-pesado e pesado. As regras não mudam e seguem as determinações da Federação Internacional de Judô. Há algumas alterações como não haver punição para a ultrapassagem da área de combate no tatame. As advertências são feitas por meios audíveis. No início da luta, a pegada é feita pelo juiz e logo desfeita, não sendo permitido aos atletas abandonarem suas posições, até reiniciarem a pegada. Todas as vezes que há separação física, a luta é interrompida.
O judoca goiano Helder Maciel é a grande esperança de medalha. Ele é favorito na categoria 60 quilos e vai lutar contra o húngaro Biro Norbert.
Certamente cabe ao basquete o início para deficientes. Pode-se afirmar que é o esporte mais popular entre os portadores de deficiência, praticado por homens e mulheres. Podem participar da modalidade atletas amputados, paraplégicos e portadores de sequela da poliomielite, todos utilizando-se da cadeira de rodas. No Brasil, a prática esportiva para o portador de deficiência começou com a criação das duas primeiras equipes no ano de 1958: o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, e o Clube dos Paraplégicos, em São Paulo.
As regras são iguais as da Federação Internacional de Basquete Amador, com algumas adaptações. Por exemplo: a cada dois movimentos para impulsionar a cadeira, o atleta tem de quicar a bola pelo menos uma vez. Porém, é marcada falta técnica se o paratleta colocar o pé no chão ou levantar da cadeira. O esporte é praticado em quadra de dimensões oficiais e com a mesma altura da tabela.
O basquete brasileiro aposta no entrosamento para conseguir bons resultados. Os atletas são comandados pelo técnico Getúlio Gonzáles e já conseguiram ser campeões do mundo em 1996, em Portugal e ficaram com o vice-campeonato no Mundial da Grécia, em 1994. Gonzáles não coloca a seleção brasileira como favorita, mas acredita que o entrosamento pode ajudar o Brasil a surpreender. Segundo ele, os maiores candidatos a medalha são Portugal, Espanha e Polonia. Estas seleções trouxeram a Sydney vários jogadores acima dos dois metros. Além de Portugal, o Brasil joga ainda diante da Espanha e do Japão. A provável formação da equipe é Jefferson, Ivan, Leandro, André e Adimar.


