Começa o julgamento do Caso Senna
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Lúcia Martins Agência Folha 
J. PedroAno trágicoAyrton Senna, no GP Brasil, dia 27 de março de 94, em Interlagos, em sua primeira corrida oficial pela equipe Williams Começa hoje em Bolonha, na Itália - e deve se arrastar por meses -, o julgamento dos acusados pela morte do piloto brasileiro Ayrton Senna, tricampeão de Fórmula 1 em 88, 89 e 91 pela McLaren. Seis pessoas estão sendo processadas por homicídio culposo (sem intenção de matar), entre elas Frank Williams, dono da última equipe em que Senna correu.
Todo o julgamento vai ocorrer em Ímola (cerca de 350 km de Roma), a pequena província do circuito Enzo & Dino Ferrari - onde aconteceu o acidente com o piloto, no dia 1º de maio de 94. Senna liderava o GP de San Marino quando, ao entrar na curva Tamburello, perdeu o controle do seu carro Williams, voou sobre a área de escape - que não tinha proteção alguma - e bateu em um muro de concreto. Um pedaço da suspensão da roda quebrou e atingiu a cabeça do piloto. Sua morte foi anunciada horas depois no Hospital Maggiore, em Bolonha (40 km de Ímola).
O processo para apurar as responsabilidades foi aberto dois dias após o acidente. Segundo a promotoria italiana, um defeito na barra da direção do carro e problemas de segurança na pista causaram a morte do piloto. O julgamento será conduzido por Antonio Costanzo, um juiz de 36 anos e apenas seis de trabalho.
Entre os acusados, três pertencem à escuderia (o dono Frank Williams, o diretor-técnico Patrick Head e o desenhista-chefe Adrian Newey) e três são responsáveis pelo circuito (dois oficiais do autódromo, Federico Bendinelli e Giorgio Poggi, e o diretor da prova, Roland Bruynseraede).
Em casaO inglês Frank Williams e os outros dois acusados da equipe anunciaram ontem que não estarão presentes nesta primeira fase do julgamento. Eles só se apresentarão quando a Justiça solicitar, disse Jeane Gorard, assessora de imprensa da Williams em Londres.
A equipe contesta o laudo e afirma que a barra da direção estava intacta antes do choque do carro de Senna com o muro. A assessoria do autódromo de Ímola negou ontem que tenha havido negligência da parte dos responsáveis pela corrida.
A família e os colegas de corridas do piloto brasileiro também não deverão estar presentes hoje no julgamento. Ambos são contra a realização do mesmo.


