Começa julgamento de filho de Pelé
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 05 (AE) - O julgamento de Edson Cholbi do Nascimento, o ex-goleiro Edinho, de 29 anos, filho de Pelé, e de Marcílio José Marinho de Melo, de 25, ainda não havia terminado no início da noite de hoje e a previsão era de que a sentença só seria conhecida na madrugada de amanhã (06). O julgamento começou às 8h18, no Fórum de Santos, e os dois são acusados de participar de um racha, no dia 24 de outubro de 92, quando o carro Apolo de Marinho de Melo bateu na traseira da moto do aposentado Pedro Simões Neto, de 52 anos, que morreu no local.
Os dois negam que tenham participado de racha, mas o promotor Octávio Borba de Vasconcelos Filho não concorda, razão pela qual os denunciou por homicídio e lesões corporais dolosas (outras pessoas que ocupavam o Apolo ficaram feridas quando o carro bateu num poste). Segundo observou o juiz Gilberto Ferreira da Cruz na preleção que fez aos jurados, decidir se o crime era culposo (sem intenção) ou doloso eventual (não houve intenção, mas as pessoas conheciam o risco).
Caso os jurados considerem o crime culposo, a pena deverá ser de um ano, sendo que os acusados não cumprirão a pena. Já no caso de aceitarem a tese da promotoria, de dolo, a pena poderá ser de quatro a vinte anos, mas, pelos antecedentes dos réus, ela poderá ser mínima, sendo que eles cumprirão um ano de prisão albergue (livres durante o dia e recolhidos à noite) e o restante em prisão domicilar. Em qualquer dos casos, deverá haver recurso, o que levará o caso a ser apreciado pelo Tribunal de Justiça, podendo se arrastar por mais quatro anos.
Edinho chegou ao Fórum às 8 horas, acompanhado pelo advogado Marlon Wander Machado e disse estar tranquilo. "Espero justiça e não estou preocupado porque contei a verdade", disse ele, antes do início do julgamento. Ao ser chamado pelo juiz Gilberto Ferreira da Cruz, falou pouco, demonstrando timidez, e negou que estivesse participando de um racha naquela madrugada. "Fui ultrapassado pela esquerda pelo Apolo, que iniciou o movimento para retornar à direita, mas outro veículo saiu do lado direito e ele teve que retornar", disse. Na sequência, contou Edinho, "a moto parece que saiu do nada" e aconteceu o acidente. Segundo ele, estava a "40, 50 quilômetros por hora, no máximo" e não soube dizer qual a velocidade que o Apolo estava.
Marcílio José Marinho de Melo, de 25 anos, motorista do Apolo que bateu na moto, arrastando-a 50 metros, também negou que estivesse participando de um racha na hora do acidente. "Tudo isso não passa de um grande equívoco, pois sou inocente"
disse ele aos jornalistas pouco antes de entrar no salão do júri. "O motociclista virou a esquina, foi muito rápido e não tive condições de parar". Ele informou que não conhecia Edinho e que nem tinha visto seu carro, uma Saveiro preta, mas acha que o caso ganhou dimensão por causa da fama do filho de Pelé. "Houve muito sensacionalismo", completou em sua rápida entrevista.
Ele repetiu perante o juiz sua inocência, admitindo que trafegava a uma velocidade entre 50 e 60 quilômetros por hora, acima do permitido para o local. Em seu automóvel, havia outras quatro pessoas, todas jovens, e que se feriram levemente quando houve a colisão com o poste, depois do atropelamento do motociclista. "Pela fama de Edinho e pelo fato de só haver jovens no carro, estão falando que a gente participava de um racha, o que não ocorreu".
Essa, porém, não é a visão do promotor Octávio Borba de Vasconcelos Filho. "Houve efetivamente o racha", disse ele, baseando-se na velocidade que os veículos trafegavam e no depoimento de testemunhas que não se envolveram no acidente. "O impacto da colisão foi muito grande, a moto foi arrastada por mais de 50 metros, revelando velocidade em torno de 120 quiilômetros por hora".
O Tribunal de Justiça acolheu recurso que apresentou no processo, aceitando a tese de que houve a corrida, e ele denunciou Marcílio José Marinho de Melo por crimes de homicídio e lesão corporal com dolo, e Edinho pela participação no episódio que provocou a morte do aposentado.


