Tirar a bandeira e a camisa do armário. Preparar a garganta para gritar por uma hora e meia. Enfim, chegou o dia tão esperado. Aguardado há nove meses, como uma gestação. Acostumados a ver futebol só pela televisão, torcedores de 11 cidades e de suas respectivas regiões, enfim, vão poder ir ao estádio e torcer por seus times pessoalmente, na festa do futebol do interior. Com dois times a menos e o mesmo regulamento exdrúxulo do ano passado, o Campeonato Paranaense teve a largada ontem.
São 14 times disputando o título do primeiro turno, o que pode encurtar e muito o caminho do felizardo ao título. Além de dois pontos de vantagem sobre os demais concorrentes, o campeão da primeira fase fará todos os jogos do octogonal final em casa e, caso termine empatado com algum outro time, leva o título. Pior para quem terminar em oitavo, pois reencontrará seu torcedor somente em 2011.
Do outro lado da tabela a briga também promete ser quente. Com o rebaixamento de quatro equipes para a Divisão de Acesso, alguns times que estiverem buscando a classificação também terão que olhar para a briga para não cair, como já aconteceu em 2009. A intenção da Federação Paranaense de Futebol (FPF) é deixar o Estadual com 12 equipes a partir de 2011.
As duas novidades deste ano estão na região Centro-Sul. O Fantasma está de volta depois de 15 anos sem assombrar. Vice-campeão da Divisão de Acesso do ano passado, o Operário, quatro vezes vice-campeão estadual, tem a seu favor a fanática torcida, que lota o Germano Kruger para empurrar o time. Porém, essa arma decisiva não poderá ser usada nas primeiras rodadas, já que o estádio foi vetado pela comissão de vistórias da FPF.
A outra novidade é o caçula Serrano. Fundado em 2007, o time de Prudentópolis foi campeão da Segunda e Terceira Divisões e quer ser a surpresa na elite. Para isso, apostou num veterano que já fez muito sucesso por aqui, vestindo a camisa de Atlético, Coritiba e Paraná. Renaldo, 38 anos, quer mostrar com a camisa do Serrano que ainda pode ser um goleador.
Não foi só o caçula que apostou em um jogador rodado para comandar o time em campo. Sensação em 2009, o Nacional quer repetir a façanha sob o comando do volante Douglas Silva, campeão brasileiro com o Atlético-PR, em 2001, e que passou também pelo Flamengo.
A equipe de Rolândia ainda passa por uma reformulação, já que trocou de parceiros dias atrás e, consequentemente, de técnico. Fora isso, a responsabilidade do Nacional aumentou. Com o rebaixamento do Londrina, o time é o único do Norte do Estado no Paranaense. ''A gente vê isso como uma valorização para o clube e usamos isso nas nossas ações de marketing, mas não vemos uma responsabilidade maior dentro de campo por isso e não passamos para os jogadores isso'', afirmou o coordenador de futebol do NAC, Sidiclei Menezes.
O Cianorte foi buscar o ex-lateral da seleção, Luís Carlos Winck, para ser o comandante. O Corinthians Paranaense aposta no de sempre: Lio Evaristo será o técnico. No Paranavaí, o velho conhecido Itamar Bernardes. O Toledo, que ano passado usou o time e a comissão técnica cedida pelo São Paulo, vai com as próprias forças. A disputa pelo título deve ser polarizada novamente entre a dupla Atletiba.

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