Portuguesa e Grêmio Portoalegrense fazem hoje à noite, em São Paulo, o primeiro confronto da decisão do título do Campeonato Brasileiro da Série A de 1996. O segundo e último jogo será domingo, às 19 horas, em Porto Alegre. A equipe paulista chega à primeira final de sua história no Brasileirão. A Lusa tenta quebrar um tabu: não ganha um título há 23 anos, desde o polêmico Campeonato Paulista de 1973 dividido com o Santos. Suas fichas nesta guerra são a garra da equipe, representada pelo volante Capitão, e pelo talento do lateral/meia Zé Roberto e do jovem Rodrigo, revelação do campeonato. O Grêmio, dono de melhor campanha que o adversário, tem a vantagem de jogar por dois empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols.
O tricolor gaúcho faz sua terceira final de Brasileirão: foi o campeão de 1981 vencendo o São Paulo e vice em 1982 perdendo do Flamengo. Principal clube brasileiro nos últimos anos, o Grêmio mostra força ao decidir várias competições. Além de ser bicampeão gaúcho, a equipe conquistou em 1995 o segundo título da Taça Libertadores (o outro foi 1981), foi vice-campeão da Copa do Brasil e do Mundial Interclubes no Japão. A experiência em finais é um de seus trunfos. Soma-se ainda o ótimo sentido de marcação de sua defesa, liderada pelo capitão Adilson, e a velocidade e oportunismo do artilheiro Paulo Nunes, 15 gols no campeonato - um a menos que o goleador Renaldo, do Atlético-MG.
Apoio dos paulistas A Portuguesa começa hoje a maior disputa de sua história. A equipe espera mobilizar toda a torcida paulista para chegar à vitória sobre o Grêmio, e ficar muito próximo do título inédito de campeã brasileira. Será a grande oportunidade para jogadores até pouco tempo desconhecidos e desprezados darem uma grande guinada nas suas carreiras.
O zagueiro Marcelo, por exemplo, estava encostado no Shimizu S-Pulse do Japão e teve seu passe emprestado para a Portuguesa de graça. O volante Roque, formado nas divisões inferiores da Portuguesa, dá risada ao ver o treino da equipe invadido por dezenas de repórteres, cinegrafistas e torcedores: ‘‘Estou no clube há nove anos e nunca tinha visto isso’’.
A Portuguesa terá de ir contra um dos maiores mitos do futebol, o de que camisa e tradição pesam na hora de uma grande decisão. O atual time do Grêmio está acostumado a decidir títulos. Os da Portuguesa não. ‘‘Também falaram que Cruzeiro e Atlético-MG eram favoritos no confronto contra a gente, e passamos por cima deles’’, retruca o meia Rodrigo, principal astro da equipe.
O técnico Candinho acha que a definição do título será no domingo, em Porto Alegre. Por isso, não pensa que sua equipe tenha a obrigação de buscar a vitória de qualquer maneira como única forma de ficar mais perto do título, uma vez que o Grêmio tem a vantagem de jogar por dois resultados com mesma diferença de placar. Os jogadores acham muito importante a Portuguesa repetir o que fez contra Cruzeiro e Atlético-MG, quando ganhou a primeira partida e reverteu a vantagem. ‘‘Temos de matar aqui para confirmar a conquista em Porto Alegre’’, diz Zé Roberto.
O treinador não definiu a equipe, e pode preparar alguma surpresa para seu colega Luís Felipe Scolari. O natural seria Zé Roberto deixar o meio-de-campo para jogar na lateral-esquerda no lugar de Carlos Roberto, que está suspenso. Assim, Rodrigo seria recuado para o meio-de-campo e Tico entraria no ataque. Mas Candinho pode optar por improvisar Roque na lateral e manter Zé Roberto como principal articulador da equipe. As surpresas podem fazer a diferença na hora da decisão.
No contragolpe O Grêmio entrará no gramado do Morumbi com apenas um desfalque para enfrentar a Portuguesa. O lateral-direito Arce, suspenso, é a única ausência confirmada entre os titulares. O meia Carlos Miguel, que era uma das dúvidas do técnico Luiz Felipe Scolari, participou do treino recreativo ontem e passou bem pelo teste.
Com uma equipe bem compactada, firme na defesa e dona de um contragolpe veloz com Paulo Nunes e Zé Alcino, o Grêmio foi a São Paulo com a ambição de obter um empate, resultado que, em tese, tornará sua vida mais fácil no jogo de volta, domingo, em sua casa. ‘‘É um confronto parelho, tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre, sem favorito’’, avaliou Scolari.
‘‘As duas equipes jogam de modo semelhante’’, comparou. Mesmo atuando em São Paulo, o técnico não acredita que a Portuguesa parta de qualquer jeito para o ataque, tentando reverter a vantagem gremista. ‘‘Não acredito que a Portuguesa fuja às suas características’’, observou. A exemplo do Grêmio, Scolari aposta que a Portuguesa será cautelosa.
O lateral Arce será substituído por Marco Antonio, que a exemplo do paraguaio, gosta de ir ao ataque e arremata com violência. Se Arce sai da equipe, Carlos Miguel está de volta recuperado de contusão. Caberá a ele recuperar a bola, articular jogadas de contra-ataque e dar ao meio-campo a harmonia que o setor não mostrou na partida anterior. Outro que retorna é o volante Dinho. Ele foi afastado do jogo contra o Goiás pelo terceiro cartão amarelo e, agora, retomará a vaga ocupada pelo reserva João Antonio. Colegas de setor, como Luis Carlos Goiano, saúdam a volta de Carlos Miguel e Dinho. ‘‘É superimportante’’, considerou.

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