Começa a decisão
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Da Redação e Agência Estado 
Portuguesa e Grêmio Portoalegrense fazem hoje à noite, em São Paulo, o primeiro confronto da decisão do título do Campeonato Brasileiro da Série A de 1996. O segundo e último jogo será domingo, às 19 horas, em Porto Alegre. A equipe paulista chega à primeira final de sua história no Brasileirão. A Lusa tenta quebrar um tabu: não ganha um título há 23 anos, desde o polêmico Campeonato Paulista de 1973 dividido com o Santos. Suas fichas nesta guerra são a garra da equipe, representada pelo volante Capitão, e pelo talento do lateral/meia Zé Roberto e do jovem Rodrigo, revelação do campeonato. O Grêmio, dono de melhor campanha que o adversário, tem a vantagem de jogar por dois empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols.
O tricolor gaúcho faz sua terceira final de Brasileirão: foi o campeão de 1981 vencendo o São Paulo e vice em 1982 perdendo do Flamengo. Principal clube brasileiro nos últimos anos, o Grêmio mostra força ao decidir várias competições. Além de ser bicampeão gaúcho, a equipe conquistou em 1995 o segundo título da Taça Libertadores (o outro foi 1981), foi vice-campeão da Copa do Brasil e do Mundial Interclubes no Japão. A experiência em finais é um de seus trunfos. Soma-se ainda o ótimo sentido de marcação de sua defesa, liderada pelo capitão Adilson, e a velocidade e oportunismo do artilheiro Paulo Nunes, 15 gols no campeonato - um a menos que o goleador Renaldo, do Atlético-MG.
Apoio dos paulistas A Portuguesa começa hoje a maior disputa de sua história. A equipe espera mobilizar toda a torcida paulista para chegar à vitória sobre o Grêmio, e ficar muito próximo do título inédito de campeã brasileira. Será a grande oportunidade para jogadores até pouco tempo desconhecidos e desprezados darem uma grande guinada nas suas carreiras.
O zagueiro Marcelo, por exemplo, estava encostado no Shimizu S-Pulse do Japão e teve seu passe emprestado para a Portuguesa de graça. O volante Roque, formado nas divisões inferiores da Portuguesa, dá risada ao ver o treino da equipe invadido por dezenas de repórteres, cinegrafistas e torcedores: Estou no clube há nove anos e nunca tinha visto isso.
A Portuguesa terá de ir contra um dos maiores mitos do futebol, o de que camisa e tradição pesam na hora de uma grande decisão. O atual time do Grêmio está acostumado a decidir títulos. Os da Portuguesa não. Também falaram que Cruzeiro e Atlético-MG eram favoritos no confronto contra a gente, e passamos por cima deles, retruca o meia Rodrigo, principal astro da equipe.
O técnico Candinho acha que a definição do título será no domingo, em Porto Alegre. Por isso, não pensa que sua equipe tenha a obrigação de buscar a vitória de qualquer maneira como única forma de ficar mais perto do título, uma vez que o Grêmio tem a vantagem de jogar por dois resultados com mesma diferença de placar. Os jogadores acham muito importante a Portuguesa repetir o que fez contra Cruzeiro e Atlético-MG, quando ganhou a primeira partida e reverteu a vantagem. Temos de matar aqui para confirmar a conquista em Porto Alegre, diz Zé Roberto.
O treinador não definiu a equipe, e pode preparar alguma surpresa para seu colega Luís Felipe Scolari. O natural seria Zé Roberto deixar o meio-de-campo para jogar na lateral-esquerda no lugar de Carlos Roberto, que está suspenso. Assim, Rodrigo seria recuado para o meio-de-campo e Tico entraria no ataque. Mas Candinho pode optar por improvisar Roque na lateral e manter Zé Roberto como principal articulador da equipe. As surpresas podem fazer a diferença na hora da decisão.
No contragolpe O Grêmio entrará no gramado do Morumbi com apenas um desfalque para enfrentar a Portuguesa. O lateral-direito Arce, suspenso, é a única ausência confirmada entre os titulares. O meia Carlos Miguel, que era uma das dúvidas do técnico Luiz Felipe Scolari, participou do treino recreativo ontem e passou bem pelo teste.
Com uma equipe bem compactada, firme na defesa e dona de um contragolpe veloz com Paulo Nunes e Zé Alcino, o Grêmio foi a São Paulo com a ambição de obter um empate, resultado que, em tese, tornará sua vida mais fácil no jogo de volta, domingo, em sua casa. É um confronto parelho, tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre, sem favorito, avaliou Scolari.
As duas equipes jogam de modo semelhante, comparou. Mesmo atuando em São Paulo, o técnico não acredita que a Portuguesa parta de qualquer jeito para o ataque, tentando reverter a vantagem gremista. Não acredito que a Portuguesa fuja às suas características, observou. A exemplo do Grêmio, Scolari aposta que a Portuguesa será cautelosa.
O lateral Arce será substituído por Marco Antonio, que a exemplo do paraguaio, gosta de ir ao ataque e arremata com violência. Se Arce sai da equipe, Carlos Miguel está de volta recuperado de contusão. Caberá a ele recuperar a bola, articular jogadas de contra-ataque e dar ao meio-campo a harmonia que o setor não mostrou na partida anterior. Outro que retorna é o volante Dinho. Ele foi afastado do jogo contra o Goiás pelo terceiro cartão amarelo e, agora, retomará a vaga ocupada pelo reserva João Antonio. Colegas de setor, como Luis Carlos Goiano, saúdam a volta de Carlos Miguel e Dinho. É superimportante, considerou.


