Agência Estado



A 39ª Copa América, que começa ser disputada hoje, no Paraguai, marca o início de um novo ciclo para as principais seleções do continente - principalmente Brasil e Argentina, os eternos favoritos. A primeira competição entre seleções da história do futebol mundial termina o século sem o prestígio e a glamourosa rivalidade entre seus participantes que marcaram sua trajetória.
A rodada de abertura do Grupo A esta noite traz o anfitrião Paraguai enfrentando a Bolívia, vice-campeã em 1997, às 22 horas, no estádio Defensores del Chaco, em Assunção. Na preliminar, o Peru joga diante do Japão.
O Brasil, integrante do Grupo B, estréia amanhã diante da Venezuela em Ciudad del Este. No outro jogo da chave, jogam Chile e México. A Argentina, que está no Grupo C, estréia quinta-feira contra o Equador. Completando o grupo, o Uruguai pega a Colômbia também na quinta.
O torneio promete ser mais empolgante que a edição anterior, realizada na Bolívia, em 1997. Naquela ocasião, apenas as seleções brasileiras e boliviana levaram sua força máxima para o torneio. Logicamente, disputaram a final e o Brasil foi campeão.
Agora não é véspera de Copa do Mundo e as equipes têm mais tempo para iniciar o trabalho de preparação para as eliminatórias do Mundial de 2002. Será a primeira competição oficial que a seleção brasileira participa sob o comando do técnico Wanderley Luxemburgo, que assumiu o lugar de Zagallo após a Copa da França.
Com cinco títulos conquistados, o Brasil tenta reduzir a diferença em relação a Argentina e Uruguai, com 14 conquistas sul-americanas. A seleção empresta o brilho de estrelas como Ronaldo, Rivaldo, Amoroso e Roberto Carlos à competição.
Os argentinos também têm novidades. O autoritarismo da ‘‘Era Passarella’’ foi ‘exportado’ para o vizinho Uruguai, onde o ex-treinador agora é coordenador de seleções. No lugar de Passarella entra Marcelo Bielsa, para dar chance aos jovens valores revelados na Argentina, uma vez que as estrelas Batistuta, Crespo e Verón desprezaram a participação no torneio e pediram dispensa.
Os 12 participantes podem ser divididos em três blocos. O dos favoritos ao título reúne Brasil e Argentina. No grupo dos emergentes estão o Paraguai, por ser país-sede; o Chile, que traz a dupla de astros Zamorano e Salas; e o México, que disputa o torneio desde 1993, sempre figura entre os quatro primeiros.
As outras equipes revelam a estagnação do futebol no resto da América do Sul. A Colômbia ainda luta para ser considerada uma nação em ascensão no futebol. Equador, Peru, Bolívia e Venezuela trazem a mesma base de jogadores dos últimos anos.
Com o auxílio da altitude, a Bolívia foi vice-campeã em 1997. As chances agora são mínimas. A novidade este ano é a participação do Japão, convidado pela Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol). Vice-campeões mundiais de juniores, os japoneses sonham com uma boa participação como parte da propaganda da Copa do Mundo que vai sediar junto com a Coréia do Sul em 2002.
Anfitrião estréia - O Paraguai estréia hoje diante da Bolívia, em Assunção, como o principal candidato a conquistar o primeiro lugar do Grupo A. O favoritismo paraguaio deve-se ao fato de a equipe jogar em casa e estar num grupo com países de pouca representividade na história do futebol: além dos bolivianos, a chave tem Peru e Japão. O novo técnico Ever Almeida, um uruguaio naturalizado paraguaio, decidiu manter a base criada pelo antecessor Paulo César Carpegiani na Copa da França, no ano passado.
Os principais destaques são Arce, Gamarra e Cardoso, todos integrantes da surpreendente campanha do Paraguai no último Mundial, quando a seleção chegou às oitavas-de-final, sendo eliminada, na prorrogação, pela França.
A principal novidade na equipe é o jovem atacante Roque Santacruz, de 17 anos, que trocou o Olimpia, do Paraguai, pelo Bayern de Munique, da Alemanha. Santacruz foi o destaque da seleção Sub-20 no Mundial da categoria, disputado na Nigéria, em abril. O grande desfalque paraguaio, além do atacante Benítez, é o goleiro José Luis Chilavert, que pediu dispensa da equipe por ser contrário à realização da Copa no país, por causa de seus ‘‘graves problemas políticos e sociais’’.
Na Bolívia, os torcedores ovacionam o ídolo Marco ‘‘El Diablo’’ Etcheverry, que, aos 29 anos, se despedirá da seleção nacional. O meia, que atua pelo DC United, de Washington foi o líder dos bolivianos no Mundial de 1994, nos Estados Unidos. O técnico Hector Veira também aposta na experiência dos veteranos Soria e Erwin Sanchez.
O Peru tem poucas estrelas. O comandante será o meia Solano, do Manchester United, da Inglaterra. A equipe está embalada pela conquista da Copa Kirin, no Japão, no início do mês.
Já o Japão pode ser a grande surpresa do torneio. Quem garante é o seu técnico, o francês Philippe Troussier, que dirigiu a África do Sul no Mundial da França. A seleção japonesa será praticamente a mesma da última copa, quando perdeu seus três jogos na primeira fase. Terá, porém, o desfalque do ídolo Nakata.

FICHA TÉCNICA
Peru
Ibañes; Guadalupe, Rebosio, Reynoso e Olivares; Jayo, Pereda, Palacios e Solano; Pizarro e Holsen. Técnico: Juan Carlos Oblitas
Japão
Kawazachi; Ihara, Akita, Nakanishi e Soma; Tasaka, Fujita, Ito e Nanami; Nakayama e Jo (Wagner Lopes). Técnico: Philippe Troussier
Árbitro: não divulgado
Estádio: Defensores del Chaco
Horário: 19h15

FICHA TÉCNICA
Paraguai
Tavarelli; Arce, Ayala, Gamarra e Caniza; Enciso, Gavilán, Paredes e Acuña; Santa Cruz e Cardozo. Técnico: Ever Hugo Almeida
Bolívia
Fernandez; Peña, Rimba e Sandy; Cristaldo, Soria, Castillo, Sanchez e Etcheverry; Limberg Gutierrez e Coimbra. Técnico: Héctor Veira
Árbitro: não divulgado
Estádio: Defensores del Chaco
Horário: 22h05

mockup