Combatendo o preconceito
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
No simples dohyo (arena de lutas) da Associação Kaiko, em Londrina, todo dia é dia de luta para uma das principais escolas de sumô do Brasil. Se não é dia de treino, que geralmente, acontecem às quartas, sextas e domingos, a luta é para manter a associação viva, e mais que isso, fortalecer o sumô, esporte que ainda sofre com preconceitos fora de seu país de origem, o Japão.
A mesma força que os sumotoris (lutadores de sumô) levam para dentro da arena para derrubar seus oponentes é a principal arma do esporte contra estes obstáculos. Nas principais competições mundo afora, o sumô brasileiro já consegue brigar de igual para igual com russos, ucranianos, poloneses e japoneses, que há anos são referências na modalidade.
Em Londrina, a Associação Kaiko espera contar com esta mesma força para tentar passar por cima de mais um grande obstáculo. A entidade acaba de fundar na cidade a Escola Fênix de Sumô, a primeira do mundo destinada somente para sumotoris mulheres. A medida promete mexer com o cenário do esporte, já que no Japão, as mulheres até hoje são impedidas de subir ao dohyo.
Fundador e atual presidente da Kaiko e da Federação Paranaense de Sumô, o ex-sumotori Cassiano Joaquim Gomes, conta que a iniciativa tem como objetivo central suscitar mais um debate em torno do esporte. ''Com certeza vai gerar polêmica, pois estamos inovando e mexendo com o tradicional. Nossa intenção é fazer o sumô feminino deixar de ser tratado como amador e ganhar reconhecimento como esporte. É uma evolução e não uma revolução'', frisa.
A diretora da nova escola, Andréa Luiza Silva, destacou o papel das alunas na fundação da Fênix ''Isso só foi possível graças à batalha das próprias alunas. É um direito que elas conquistaram com muita luta. E não foi simples. Foram muitos obstáculos superados e agora elas são pioneiras'', apontou.
A escola já conta com 25 alunas e tem como destaques as integrantes da equipe pentacampeã brasileira, formada pelas sumotoris Amanda Costa, Janaína e Jaqueline Silva. As duas últimas são irmãs e atuais campeãs do Mundial Amador da Polônia e do Sul-Americano do Paraguai, ambos realizados em 2010.
A melhor equipe feminina do Brasil sonha entrar de vez para a história do esporte com a fundação da escola. ''Superamos muitas barreiras para ter esta conquista. A gente espera que seja realmente só a primeira, e que possamos servir de exemplo para atletas de outros países fazerem o mesmo. Com isso, conseguiremos superar mais esta barreira e fortalecer o esporte'', vislumbrou Jaqueline, 26 anos, seis como sumotori.
Companheira das irmãs campeãs, Amanda vai além. ''Acredito que também é um incentivo às novas gerações, para que mais mulheres se interessem pelo sumô. E que no futuro, possamos ver o esporte fortalecido, com mais apoio, gerando melhores estruturas e condições aos alunos'', finaliza ela, que começou a lutar junto com Jaqueline e Janaína na equipe londrinense.


