Comandante dá as ordens na Regata
Aqui quem manda é o comandante. Os outros têm que respeitar e nunca pôr em dúvida o que eu digo´´. Esse democrático´´ modo de pensar é do português José Correia Leite
do Oceanos, um veleiro de 49 pés (15 metros) que até aqui percorreu a rota de Pedro álvares Cabral com cinco tripulantes - agora, com sua mulher e filho, serão sete. Se começa a discutir´´, prossegue ele, não se vai a lado nenhum. Houve uma época em que eu tentei ser um pouco mais liberal e só deu asneira. No final das contas, ninguém é responsável pelas suas tarefas. Quando uma pessoa não tem que prestar contas ao comandante, começa a galopar e se sente mais importante que ele.
O comandante linha-dura tem 56 anos de idade, veleja desde pequenino´´ e já deu uma volta ao mundo, na qual chegou a excluir um tripulante que não se enquadrava no seu esquema - em terra firme, claro. Mas segundo ele, não é bom falar nesse assunto.
Parece militar. E é: Sou coronel de cavalaria reformado.´´ Ou seja, aposentado. Ele não parece tão severo em relação ao romance de dois tripulantes, um rapaz e uma moça, filhos de amigos seus que começaram a namorar na viagem: Desde que não excitem os outros, podem namorar à vontade.´´ Mas deixa claro que não acha sexo a bordo uma boa idéia: Não proíbo nem deixo de proibir. A juventude portuguesa é mais conservadora nesse sentido. Não sei se é por respeito ao comandante, mas eles têm tido certo comedimento quanto a isso. Pelo menos que eu saiba.´´ Os dois têm um quarto só para eles.
Em termos de organização, o extremo oposto é o bagunçado veleiro Fia, do navegador solitário André Homem de Mello, que tem objetos espalhados por todo lado. Após enfrentar uma série de problemas com o motor, André enfim conseguiu chegar a Salvador, ontem de manhã. Para não sofrer mais daqui para a frente, conta que vai trocar os quatro apoios do motor antes de partir para Cabrália, quarta-feira próxima.
Por um problema de desalinhamento, André teve cinco parafusos quebrados no trecho entre os Penedos de São Pedro e São Paulo e Fernando de Noronha - 300 milhas (555 quilômetros) que o Fia levou quatro dias para percorrer, média de 3 nós (5,5 km/h): Não deu desespero porque eu tinha suprimentos à vontade
mas encheu o saco. Eu fiquei chateado, queria chegar junto dos demais.´´ Hoje, na Base Naval de Aratu (próximo a Salvador) será batizada a Nau Capitânia, réplica do navio usado por Pedro álvares Cabral em 1500.
Houve boatos de que a nau, um projeto de R$ 3 milhões, tivesse sofrido infiltrações quando colocada na água. Mas a assessoria de imprensa disse ontem que isso é coisa de quem não apura direito os fatos´´. E informou também que a nau flutua com precisão.
No batismo, deve estar presente o vice-presidente da República, Marco Maciel, que é presidente do Comitê Nacional das Comemorações do Quinto Centenário. E também sua mulher Ana Maria
madrinha da embarcação - além de deputados federais, estaduais, senadores, secretário, oficiais da Marinha. O palanque político deve ser maior que a tripulação da nau, de 22 pessoas.Por Julio Cruz neto São Paulo, 16 (AE) - O velejador Amyr Klink vive falando que no barco dele, o Paratii, não existe comandante, que todos fazem de tudo um pouco. Mas nem todo mundo pensa assim na Regata do Descobrimento. Existe um comandante que impõe um esquema de vida a bordo, talvez mais rígido que o do próprio Cisne Branco, navio-veleiro da Marinha que leva a bordo a reportagem do JT, com patrocínio do Banco Bandeirantes.





