Com um empate, LEC volta à Copa do Brasil
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quarta-feira, 19 de março de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Quanto vale um time capaz de fazer velhos torcedores relembrarem tardes e noites memoráveis, capaz de fazer uma criança londrinense descobrir as emoções que habitam um pequeno estádio lotado, capaz de esquecer o complexo de inferioridade em relação aos times da capital, capaz de fazer a cidade sonhar com a Série A e com a sua inclusão no mapa do futebol?
O Londrina, de Roberto Fernandes, conquistou muita coisa em quatro meses de trabalho. A principal delas foi recuperar a auto-estima do torcedor, que tirou a velha camisa alviceleste do fundo da gaveta ou foi à loja comprar o artigo para entrar na moda.
O futebol, contudo, é um jogo. E no jogo, os parâmetros não são sentimentais. São objetivos. Se é verdade que o time de Roberto Fernandes mantém uma marca importante de invencibilidade 10 jogos também é verdade que o time acumula quatro empates consecutivos. E que na noite de hoje, tudo o que não pode acontecer é uma derrota.
Quando entrar no campo do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, às 20h30, para enfrentar o Prudentópolis, na segunda partida do confronto eliminatório que indicará o terceiro representante paranaense na Copa do Brasil 2004, o Tubarão estará pondo em jogo muito mais que o seu futuro. Contra o Leão da Serrinha, o LEC tenta garantir que o passado recente de quase-glória não seja esquecido. Ou desvalorizado.
Mas Fernandes quer mais que espantar o fantasma da quarta colocação. ''Não temos que jogar o suficiente para vencer o Prudentópolis. Temos que manter o nível que quase nos fez chegar à final''.
Se o empate em um gol em Prudentópolis foi uma lição, a partida de hoje será uma prova para o ataque. ''Fizemos uma boa partida até o momento da finalização. A partir daí, fomos muito mal'', avaliou o técnico. ''Me irritei, porque era um filme que eu já tinha visto'', concluiu, referindo-se à partida contra o Francisco Beltrão, pela primeira fase, quando o time perdeu vários ''gols feitos''.
A explicação para o baixo rendimento recaiu sobre a desconcentração do time. ''Não é fácil ficar fora de uma decisão quando se chega tão perto. Depois de um nível de ansiedade e expectativa daqueles, é natural que haja uma queda de interesse'', disse Fernandes.
O treinador também reconhece que o assédio a várias peças do time titular na semana passada fez mal ao Tubarão. ''Foi uma semana muito tumultuada'', admitiu.
Sem pretextos para jogar mal e diante de um adversário fragilizado, o Londrina tem consciência que pode ter um desempenho de gala, para premiar a própria participação da torcida no campeonato. ''Que empate nada. Vamos pra cima, buscar uma vitória'', garante o meia Valdeir.
Outro meia, Márcio Alan, é mais comedido. ''A classificação é o mais importante. Não sei se vamos dar espetáculo. Temos é que ter atenção para evitar surpresas''.
Valdeir, lesionado no tornozelo esquerdo, não participou do recreativo da manhã de ontem. Marcelo Silva participou mas reclamou das dores no joelho direito. Ambos são dúvidas e devem passar por um teste no final da tarde. Há boas chances dos dois jogarem. A partida de hoje também marca a volta do lateral-direito Jamur e o do meia-defensivo Dário, que não jogaram em Prudentópolis por estarem suspensos.


