Com Rafael cortado, Mano tem de apostar no inexperiente Neto
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Mateus Silva Alves <br> Agência Estado 
Saint Albans - O destino foi cruel com Mano Menezes. Ele apostou tudo em Rafael, mas viu o goleiro do Santos se machucar em um treino a três dias da estreia nos Jogos Olímpicos de Londres e agora tem de escalar um jogador que jamais pisou num gramado usando a camisa da seleção brasileira, em qualquer categoria. O escolhido é Neto, da Fiorentina, um poço de inexperiência em quem o treinador é obrigado a confiar. É o tipo da ''emoção'' que o gaúcho, um homem frio e calculista, detesta.
O corte de Rafael, causado por uma lesão no cotovelo direito, foi anunciado ontem. Alguns minutos depois Neto estava em um dos gramados do CT do Arsenal, feliz da vida, fazendo seu primeiro treino com o status de titular da Seleção. Ele está se preparando não apenas para a estreia do Brasil na Olimpíada, nesta quinta-feira, contra o Egito, mas para a sua primeira partida pelo time nacional. O ex-jogador do Atlético-PR tem no currículo algumas convocações para a seleção principal, todas na ''administração'' Mano Menezes, mas nenhum minuto em campo.
Agora cabe ao técnico juntar os cacos e remediar a situação. E ele começou a fazer isso nesta terça-feira, numa entrevista coletiva em que tentou minimizar a evidente falta de ritmo de jogo de Neto, que é reserva no clube italiano e jogou apenas duas partidas oficiais na última temporada. ''Neto intensificou sua preparação no Atlético durante as férias para que se minimizasse a falta de continuidade de jogar. O ideal era que estivesse jogando, mas nem sempre se chega ao ideal'', disse Mano, que tentou passar a impressão de que a seleção não perderá com a troca de Rafael por Neto. ''São goleiros do mesmo nível. Neto está habituado à seleção brasileira, sabe da responsabilidade. Não vamos mudar nada no posicionamento da equipe, temos confiança na sua capacidade.''
A aposta de Mano em Rafael ocorreu por causa de seu bom desempenho nos amistosos contra Estados Unidos, México e Argentina. O plano era levar Jefferson aos Jogos, mas o técnico nunca apreciou muito a ideia de ''queimar'' uma das três vagas para jogadores com mais de 23 anos com um goleiro. Ele precisava de um jogador da posição com idade olímpica em que pudesse confiar, e Rafael resolveu esse problema. Por isso a sua lesão foi uma bomba jogada no colo do treinador.
Apesar de estar devastado pelo corte, Rafael reuniu forças para encarar os jornalistas durante o anúncio da notícia. Ele havia acabado de passar uma noite horrível, em que não conseguiu dormir à espera do resultado do exame de ressonância magnética que acabou por confirmar seu infortúnio. ''Minha conversa com o Mano foi triste, mas ele falou coisas bonitas, vi o carinho dele e a confiança no meu trabalho. E conversei muito com o Sandro, que passou pela mesma situação na Copa América (de 2011) e agora está aqui'', disse Rafael.


