Com pouca estrutura, LEC busca condicionamento ideal
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domingo, 04 de agosto de 2002
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
A uma semana da estréia na Série B do Campeonato Brasileiro, o Londrina busca um condicionamento físico compatível com seu ideário: montar um time baseado no vigor de jogadores esforçados, com vontade de lutar o tempo todo para superar adversários mais qualificados tecnicamente.
As atenções estão voltadas para o preparador físico José Carlos Venturini depois de dois fatos que abalaram a confiança do grupo a derrota por 3 a 1 para o Juventude-RS (quando o time demonstrou preparo atlético deficiente) e o atraso na programação devido a falta de locais para treinamento nos últimos dias (com o mau tempo, os campos da cidade não foram liberados).
A preocupação é com a maratona da Série B 25 jogos em cerca de 100 dias e com o pouco tempo de preparação da equipe. Os trabalhos do segundo semestre começaram no dia 8 de julho, mas os treinamentos contando com os reforços foram iniciados há apenas 17 dias.
Outro agravante é que os cinco últimos reforços o zagueiro Josildo, o meia-defensivo Tião, o meia-ofensivo Germano e os atacantes Neizinho e Paraguaio realizarão somente parte do trabalho específico para uma competição que nunca participaram. Eles se apresentarão amanhã.
Segundo Venturini, o tempo ideal de preparação para uma competição de alto nível é de oito semanas. Como exemplo, ele citou o atual estágio do time de Caxias do Sul, que na terça-feira impressionou a todos que estavam no VGD. ''Eles estão trabalhando há três meses e mostraram que estão prontos para o campeonato''.
O preparador físico ressaltou que os testes iniciais feitos há duas semanas para medir a resistência aeróbia demonstraram que o grupo estava em condições razoáveis. Dentro da realidade do Londrina, os testes foram feitos sem equipamentos sofisticados, como os usados por concorrentes mais estruturados.
Foi aplicado o já antigo teste de cooper 12 minutos de corrida em que o objetivo é percorrer a maior distância possível. O ideal, segundo o preparador físico, é 3,2 mil metros. ''Neste quesito, a maioria não preocupa. O grupo está em um estágio razoável'', revelou. O preparador físico lembrou à Folha que a resistência aeróbia é trabalhada naturalmente a cada treinamento e que sua manutenção é simples
Sem ''janelas'' na agenda para fazer os testes de força e explosão muscular, Venturini intensificou nos últimos dias em exercícios como tração (aquele em que um jogador 'segura' o outro, enquanto corre, com uma corda de borracha), o multisalto (em que o atleta pula em um caminho de círculos no chão) e piques curtos (corridas de 40 metros). Para trabalhar tronco e membros superiores, os jogadores farão academia a cada dois dias. ''Em termos de explosão e força muscular, o time só atingirá o ápice no decorrer do campeonato'', admitiu.
A luta contra o tempo amplia a responsabilidade de Venturini, que há 17 dos seus 47 anos de vida presta serviços ao clube como fisicultor (começou no final da década de 70 como massagista). Sempre preocupado em se atualizar, ele diz que estuda nutrição, biomecânica, fisiologia e psicologia para suprir a ausência de profissionais especializados, que fazem um trabalho coordenado nos grandes clubes. ''A gente faz de tudo um pouco e observa o comportamento do jogador em vários aspectos. Tem que ser um pouco didático e tentar passar um pouco do conhecimento para o atleta''.
Venturini também terá um trabalho extra com o calendário espremido do segundo semestre. ''O trabalho deve ser dosado e deve incluir sessões de relaxamento muscular. Trotes leves, alongamento e trabalho em piscina servem para desintoxicação durante o campeonato'', receitou.
O preparador físico lembra que os atletas são muito mais conscientes hoje do que quando ele iniciou a carreira. ''Hoje eles sabem que a parte física é fundamental''. Para Venturini, o futebol contemporâneo é cada vez mais atlético e exige do atleta algumas características básicas. ''O jogador tem que ter técnica, resistência, velocidade, força, inteligência tática e equilíbrio emocional'', ensina. ''Com inteligência tática e bom posicionamento, o atleta se desgasta nos momentos certos'', explica.


