Santos - Valeu o investimento. Em menos de três semanas sob o comando de Muricy Ramalho, o segundo treinador mais caro do país, perdendo apenas para Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, Santos já é outro. Mesmo quase sem tempo para orientar os jogadores em treinos táticos e técnicos, em razão da maratona de jogos - foram cinco em 13 dias -, ele conseguiu o que os antecessores tentaram em vão: dar equilíbrio ao time que fazia muitos gols, mas que não sabia se defender.
Mais do que adaptar a equipe às competições decididas pelo sistema de mata-mata, Muricy superou sem sustos os dois primeiros obstáculos que teve pela frente com a classificação às oitavas de final da Copa Libertadores da América e às semifinais do Paulistão. Contratado em 4 de abril, o novo treinador assistiu das tribunas da Vila Belmiro à vitória por 3 a 2 contra o Colo Colo, do Chile, dois dias depois.
Mas, viu muitos defeitos no conjunto santista. O principal deles, a ingenuidade contra equipes mais experientes, a ponto de ser perder emocionalmente, sofrer dois gols e ter três jogadores expulsos depois de abrir 3 a 0 no marcador. E conseguiu convencer os jogadores de que o Santos não sabe brigar, mas que é muito difícil de ser batido quando se preocupa apenas em jogar.
Mas o seu principal mérito foi mudar em tão pouco tempo o comportamento do bloco defensivo. O resultado pode ser avaliado pelos números: nos cinco jogos sob o seu comando, o Santos marcou 10 gols e sofreu apenas dois, ganhando quatro vezes e empatando apenas uma, com um time misto, contra o Americana, em Americana. ''Não estamos mais tão vulnerável. Deixamos de sofrer muito em relação à defesa'', comemorou Muricy.

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