O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz chega hoje a Curitiba depois de ter escalado o K2, a montanha mais perigosa do mundo, com 8.611 metros, localizada no Norte do Paquistão, na fronteira com a China. Ele chegou ao topo do K2 às 18h30 no dia 29 de julho.
O desembarque no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, está previsto para as 9h30. Familiares e amigos prometem muita festa no saguão do aeroporto para comemorar a façanha de Niclevicz, que tentava pela terceira vez a escalada do K2. ‘‘A mãe, dona Filomena, prepara uma bela polenta com galinha, além de bolo de chocolate com recheio de côco’’, disse o irmão do alpinista, o dentista Roque Niclevicz. Depois da recepção, Niclevicz concederá entrevista coletiva no escritório da sua assessoria de imprensa, no centro de Curitiba.
O alpinista chegou ao Brasil no último domingo. Ontem ele falou com jornalistas em um hotel de São Paulo. A Folha participou da conversa – que durou pouco mais de duas horas – pela Internet. Niclevicz está 12 quilos mais magro e tem problemas na visão. ‘‘Quando fecho um dos olhos, o outro fica todo embaraçado’’, revelou. Os dedos não precisarão ser amputados, como se temia, por causa do congelamento. A mesma sorte não teve o italiano Marco Camandona, que terá que amputar a ponta de seis dedos. ‘‘Infelizmente o Marco terá que passar por este sacrifício e esta parte da viagem é que não traz boas recordações’’, disse. O outro membro da expedição, o francês Abele Blanc, passa bem.
Niclevicz contou que a expedição custou aproximadamente US$ 200 mil. Sobre futuros projetos, Niclevicz afirmou que não quer criar compromisso com o público a respeito de um novo desafio. ‘‘Depende do patrocínio, mas espero que a conquista do K2 possa trazer mais recursos.’’
Mas a próxima aventura já tem data marcada: em outubro ele vai chefiar uma equipe que vai participar do Enduro da Mata Atlântica. Porém, o que ele mais tem vontade de fazer no momento é se casar com a noiva Adriana Carioba. ‘‘É um sonho que ainda não realizei mas está perto de acontecer, casar com a pessoa mais importante da minha vida e uma das que mais me apoiou durante a expedição’’, disse, em tom apaixonado.
Ele relembrou ainda que a fase mais difícil da expedição foi a descida. ‘‘Tive medo de morrer.’’ Mas o alpinista não consegue se esquecer do momento que esteve no cume da montanha. ‘‘Foi emocionante, nós nos abraçávamos e eu estava tendo alucinações, só depois é que me contaram que eu fotografei e filmei.’’
Niclevicz reclamou da falta de consciência ecológica de alguns alpinistas durante a escalada. ‘‘É inacreditável mas ainda existe muita gente que joga lixo e até depreda a montanha’’, disse, reclamando da postura antiecológica de alguns alpinistas coreanos. ‘‘Há um impacto ambiental gerado pela presença dos alpinistas e algum lixo acaba ficando, mas tem gente que faz de propósito e aí depende da conduta de cada um.’’
Niclevicz contou que a primeira coisa que quer fazer quando desembarcar em Curitiba é beijar seus familiares, depois ‘‘comer a comidinha da mamãe’’ e descansar muito. ‘‘A mente e o corpo estão exaustos’’, disse o alpinista de 33 anos que nasceu em Foz do Iguaçu.
É o primeiro sul-americano a conquistar o K2, considerada a montanha da morte.

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