São Paulo - O Palmeiras começou o Campeonato Brasileiro com medo, acovardado, jogando como time pequeno. E terminou do mesmo modo: temendo apanhar da torcida. O que o time não fez dentro de campo, em 25 rodadas, conseguiu ontem. De maneira ágil e inteligente, o grupo, rebaixado para a Série B, driblou a furiosa torcida que buscava uma explicação dos atletas. Cerca de 30 palmeirenses foram ao aeroporto de Cumbica, no início da tarde, para esperar a delegação. Houve até quem levasse caixa de ovos. Mas os atletas e a comissão técnica não passaram pelo portão de desembarque. Um ônibus foi até à pista para pegá-los. O pedido de segurança reforçada foi feito pelo próprio elenco e pela diretoria, temendo represália.
''Sentimos um pouco de medo por causa da nossa segurança, passar no meio deles (torcedores) seria muito perigoso'', admitiu o técnico Levir Culpi, único a não fugir da imprensa. ''O torcedor ou te ama ou te odeia.''
Um verdadeiro esquema de guerra foi armado. Alguns jogadores, como Nenê, Rubens Cardoso, Fabiano Eller, Leonardo Moura, Flávio e Dodô, deixaram o aeroporto com amigos ou parentes. Mas escondidos. Outros utilizaram o ônibus fretado pelo clube. No trajeto de Guarulhos à região central de São Paulo, sete motos e dois carros da Polícia Militar fizeram a escolta. Outros dois ônibus idênticos e praticamente vazios, em parte do caminho, seguiram o da delegação para despistar possíveis seguidores.
Se não fosse posta em prática essa operação de fuga, os atletas provavelmente teriam sofrido alguma agressão. Nervosos, alguns torcedores mostraram descontrole e admitiram o desejo de violência. O estudante Eduardo Mello, 20 anos, levou uma caixa de ovos para atirar no elenco. ''Gostaria de comprar uma caixa de ovos podres, mas não consegui'', contou. ''Mesmo sabendo que poderia ser pego pela polícia, eu ia jogar ovos nesses desgraçados.''
Poucos palmeirenses descobriram o local por onde o ônibus deixaria Cumbica. Quando viram o veículo saindo, começaram a hostilizar o grupo. Dois ovos foram atirados e acertaram o ônibus. ''Quando você erra, tem de assumir. O mínimo que eles tinham de fazer era aparecer aqui'', esbravejou Isidoro Lopreto Filho, sócio da torcida uniformizada Mancha Alviverde.

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