Com medo, Corinthians instaura revezamento
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 12 (AE) - Foi preciso o time perder para o União Barbarense para a diretoria do Corinthians se convencer que se não promover um revezamento entre os jogadores o clube não vai conseguir ganhar nenhuma das competições que disputa simultaneamente - Campeonato Paulista, Copa do Brasil e, principalmente a Libertadores. Os jogadores pressionaram e os dirigentes finalmente resolveram desafiar o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah. Nas próximas rodadas da competição estadual, o Corinthians vai poupar seus principais atletas.
A intenção é ludibriar Farah sob o argumento que os 30 jogadores inscritos no Campeonato Paulista têm nível técnico para ser titulares do Corinthians e, portanto, não existe time misto. "Se não usarmos todo o nosso elenco será humanamente impossível chegar nas três competições", argumenta o diretor de Futebol Luiz Henrique de Menezes.
Ele explica que o clube se vê obrigado a participar de tantas competições para conseguir receita suficiente para arcar com seus gastos. O Corinthians utilizou uma equipe mesclada no jogo contra a Inter de Limeira e recebeu uma advertência de Farah: se o fato se repetir, a FPF não vai pagar a cota mínima de R$ 600 mil por jogo.
Os jogadores já não suportavam mais ter de jogar a toda hora. "Somos seres humanos, o que estão fazendo com a gente é falta de respeito", comenta Dinei. "Eu não queria jogar contra o União Barbarense, mas se eu falasse iam dizer que é por causa do meu joelho." Gamarra acrescenta: "Quando temos tempo para descansar o time é outro".
A decisão de mesclar a equipe é uma maneira da diretoria conter os ânimos dos jogadores, que estavam reclamando do comportamento passivo dos dirigentes. O atacante Edílson foi multado em 20% dos seus salários (vai pagar R$ 24 mil) por fazer críticas abertas aos diretores.
Com sua formação principal, o Corinthians viaja na manhã desta terça-feira para Cochabamba, na Bolívia, onde quarta-feira enfrenta o Jorge Wilsterman pelas oitavas-de-final da Libertadores. A comissão técnica não teme que os jogadores possam sentir o efeito da altitude de 2.600 metros de Cochabamba. Nenhum trabalho especial de aclimatação para jogar nas alturas foi programado. "Essa altitude não nos assusta", diz o preparador físico Antônio Mello. "A equipe vai sentir pouco", garante.
O meia Ricardinho e o lateral Rodrigo, machucados, não viajam. O técnico Evaristo de Macedo não gostou da atuação de Márcio Costa na defesa e contra o Jorge Wilsterman vai promover a estréia do recém-contratado Nenê, que foi inscrito para a segunda fase da Libertadores. Nenê não joga uma partida oficial desde novembro do ano passado.


