Londres - Robert Scheidt não está preocupado com recordes e história. Neste domingo, quando entrar na raia de Weymouth, na disputa da medal race da classe Star nos Jogos Olímpicos, a partir das 9h, ele brigará pelo lugar mais alto no pódio, único resultado que lhe interessa. Ele já se juntou a Torben Grael como o maior medalhista brasileiro, com cinco conquistas, mas prefere ser lembrado como o primeiro tricampeão olímpico do País. Por isso, não desistiu ainda do sonho dourado. ‘‘A equipe da Grã-Bretanha velejou realmente com consistência por toda a semana, mas ainda não acabou. Será uma disputa muito excitante’’, avisa.
  Com o companheiro Bruno Prada, para levar o ouro, precisa ficar quatro posições à frente da dupla da casa, Iain Percy e Andrew Simpson. Também não pode se descuidar do time sueco, que está na cola e não pode terminar a regata com duas posições de vantagem sobre os brasileiros.
  ‘‘Não se pode olhar para dois competidores ao mesmo tempo, então vamos fazer a nossa corrida. Já garantimos uma medalha e acho que os britânicos estão sob pressão por correrem em casa. Então vamos estar um pouco mais soltos. Temos de velejar à nossa maneira e ficar à frente deles. Não será fácil, mas vamos dar o melhor.’’
  Scheidt conquistou sua primeira medalha em Atlanta/1996, na classe Laser. Foi ouro. Em 2000 (Sydney), foi prata, na mesma categoria. Repetiu o ouro quatro anos depois, em Atenas. Em Pequim, já na Star, ficou com a prata - perdeu o título justamente para a dupla britânica.
  ‘‘Estamos tentando com mais força agora do que em Pequim. Ganhar uma medalha é sempre um sonho. Nesta semana, velejamos em um nível tão alto que é bom que o jogo não esteja encerrado.’’
  A disputa dos últimos dias foi tão forte que, mesmo com a vantagem na pontuação, os atletas locais evitam cantar vitória e reconhecem o talento dos adversários. ‘‘É incrivelmente frustrante que talvez tenhamos velejado da melhor maneira em nossa vida e não tenhamos conseguido abrir muita distância deles. Bruno e Robert, além dos suecos Freddy e Max, foram fantásticos até aqui. É muito raro ter três barcos dominando na classe Star até o fim’’, explicou Percy, que elogiou os rivais. ‘‘Todos velejaram respeitosamente e foi muito prazeroso. Acho que será um grande espetáculo.’’
  Um fator que pode ajudar Scheidt e Prada é que a competição será realizada em um local diferente das outras dez regatas, num trecho da baía de Weymouth mais perto da praia, com um vento que muda de uma hora para outra. Segundo os atletas, qualquer erro poderá ser fatal.
  ‘‘Estamos muito felizes por já ter garantido a medalha. Não será fácil ganhar o ouro, mas não podemos nos acomodar. Estamos preparados para qualquer tipo de vento e a raia onde será disputada a regata é bem complicada, mais perto da costa. Como a regata é mais curta, quem errar na largada, dificilmente terá chance para se recuperar’’, lembra Bruno Prada.

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