Dias contadosA aplicação do tradicional ‘carrinho’ no futebol vai ser abolida já a partir do dia primeiro de julhoEles, que já foram chamados de ‘‘os homens de preto’’, há tempos vêm ostentando cores mais vivas em seus uniformes. Mas as críticas ao seu trabalho continuam as mesmas. É raro, ao término de uma rodada, não ouvir aqui e ali um porém, uma ressalva, com relação a lisura de uma arbitragem.
Polêmicas à parte, o fato é que os árbitros paranaenses estão batendo recordes na distribuição de cartões. Segundo dados do departamento técnico da Federação Paranaense de Futebol, os apitadores fizeram 773 advertências com o cartão amarelo em 130 partidas, incluindo a primeira e segunda fases da competição. A média é de cinco cartões amarelos por jogo. O cartão vermelho foi aplicado em 113 oportunidades, o que também resulta em alta média por partida. Os dados não incluem os jogos do último final de semana do Octogonal e Torneio Extra.
Odemir Stolle, membro da Comissão de Arbitragem da Federação, diz que a vigilância em torno do trabalho dos árbitros é constante. ‘‘A verdade é que está havendo uma cobrança maior da nossa parte. Temos um grupo de estudo que se reúne semanalmente para assistir ao teipe de um jogo importante e discutir com o árbitro todos os lances. No último Atletiba, por exemplo, o Valdir de Córdova Bicudo errou ao não expulsar dois jogadores do Atlético (o lateral-esquerdo Ronaldo e o volante Cléberton). Porém, as expulsões do Piá e Basílio, do Coritiba, foram corretas e todos os sete gols legítimos’’.
Para comprovar a eficiência desse método de avaliação, Stolle cita dois casos recentes de árbitros que tiveram suas atuações questionadas e acabaram sendo colocados na ‘‘geladeira’’ (punidos) - Bertoldo Celestino Pires, suspenso pela Federação por 90 dias após apitar Iraty 3 x Foz 1, em 9 de março, e Nilton Dantas Louza, que dirigiu Paraná 1 x Atlético 0, no último dia 6.
‘‘O Bertoldo foi reprovado no teste físico, realizado no sábado passado, mas vai poder voltar a trabalhar assim que estiver em melhores condições físicas. E o Nilton, que tem um bom currículo, mas cometeu três erros considerados graves contra o Paraná - primeiro, marcando o que nós chamamos de ‘‘perigo de gol’’ (falta inexistente) e depois, seguindo a orientação de um dos auxiliares, assinalando dois impedimentos, que também não existiram -, foi afastado para se reciclar’’.
Ainda segundo Stolle, o mais importante é que as arbitragens não estão influenciando no resultado das partidas e que o grande vilão do espetáculo é o ‘‘carrinho’’, entrada faltosa que deve ser abolida do futebol no dia 1º de julho. ‘‘Pelo que estamos vendo, os gols têm sido validados normalmente, sem nenhum tipo de irregularidade. O maior problema é que muitos árbitros não estão punindo exemplarmente o ‘carrinho’ de frente e de lado, assim como fazem com aquele dado por trás’’.
Atualmente, a árbitra Sueli Terezinha Tortura é a única representante paranaense nos quadros da Fifa. Carlos Jack Rodrigues Magno, José Carlos Marcondes e Evandro Rogério Roman ainda estão na condição de aspirantes.

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