Com Júnior, Timão sonha com nova fase
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - A chegada de Júnior e Rivellino ao Parque São Jorge significa muito mais do que simples preenchimento de cargos. Na avaliação dos cartolas do Corinthians, a contratação da dupla representa o início de um processo de profissionalização que, se bem sucedido, deverá marcar época e servir de modelo para os demais clubes.
Porém, em meio ao clima de otimismo, promessas e expectativa, o que, de fato, pode ser considerado objetivo concreto, atingível, e o que não passa de simples discurso, utilizado apenas para colocar panos quentes no ambiente conturbado? Se a diretoria diz que Júnior vinha sendo observado já há algum tempo e sua contratação era um desejo antigo, por que não a concretizou antes? Na prática, o que muda no clube e na equipe com a criação do cargo de diretor-técnico, ocupado por Rivellino? De que adianta montar um organograma baseado nos clubes europeus se a realidade brasileira (financeira, organizacional e até educacional) é completamente diferente? Essas são algumas perguntas que estão sendo feitas nos bastidores do Parque São Jorge.
A Agência Estado apurou ontem com pessoas próximas à direção e ao Conselho que a escolha de Rivellino e Júnior não provocou o impacto esperado. O ex-camisa 10 do Corinthians ainda desfruta de credibilidade e respeito, mas Júnior terá mais dificuldades do que imagina como técnico. Entre elas a falta de experiência e identificação com o clube. O maior temor é de que tanto os torcedores uniformizados quanto conselheiros e diretores, que tanto pressionam time, comissão técnica e diretoria, não se disponham à trégua.
Sonho - Com a chegada de Rivellino, a diretoria espera desenvolver nova política administrativa. Aspectos considerados exemplos de profissionalização, como planejamento de médio e longo prazo e definições precisas de funções e responsabilidades internas, estão entre os objetivos imediatos. A estrutura do Real Madrid é o exemplo.
De Júnior, além do engajamento na concepção, espera-se trabalho forte com os atletas jovens. Na linguagem do futebol, o novo treinador é o chamado ''boleiro'', aquele que conta com larga experiência no campo e, assim, falaria a ''língua'' dos jogadores. Espera-se que essa característica lhe possibilite, em curtíssimo prazo, conquistar a confiança do grupo, reagir no Campeonato Brasileiro e ainda brigar por uma vaga na Taça Libertadores.
Para isso, o clube vai oferecer vantagens. Júnior contará com a comissão técnica base da seleção brasileira. Permanecem o auxiliar-técnico Jairo Leal e o preparador físico Moracy Sant'Anna, ambos companheiros de Carlos Alberto Parreira. Além disso, a estrutura de equipamentos para condicionamento físico e fisioterapia é uma das melhores do mundo, de acordo com os especialistas.
Porém existem peculiaridades no dia-a-dia do Corinthians que podem diminuir o otimismo do novo discurso e deixar evidente que a distância é grande entre aquilo que a cúpula quer e o que realmente pode fazer. A maioria dos atletas jovens ficou visivelmente abalada com o conturbado ambiente e ainda tem pesadelos quando lembra da recepção que teve da torcida após sofrer a goleada por 6 a 1 frente ao Juventude.
De outro lado, os mais experientes, casos do lateral Rogério, do zagueiro César e dos meias Jamelli, Robert e André Luiz, estão desmotivados e perseguidos pela torcida. O próprio Geninho, dois dias antes do desastre em Caxias do Sul e a consequente demissão, revelou. ''É cada um por si. O sujeito vem aqui, faz o seu e vai embora. Não há envolvimento com a situação da equipe''.


