São Paulo - Cercado por 50 crianças da escola Show de Bola, de Salto - a 115 quilômetros de São Paulo -, que respeitosamente esperavam por sua entrevista a uma canal de televisão, Diogo Rincón estava a alguns minutos de viver seu primeiro momento como ídolo da torcida. O relógio marcava 12h30, ontem, na sede do clube.
Autor dos dois primeiros gols na vitória por 4 a 0 (um de pé direito e outro com o esquerdo), o meia-atacante foi envolvido pelas crianças no exato instante em que a luz da câmera da televisão se apagou. ''Isso é bom demais'', dizia, entre um autógrafo e outro. Levou dez minutos para caminhar os 30 metros que o separavam da entrada do museu do Corinthians.
Caminhava e dava autógrafos. Com a certeza de ter cumprido um passo no projeto a que se propôs quando veio do Dínamo de Kiev, da Ucrânia, para o Corinthians. ''Eu vim aqui para ser ídolo e sei que vou ser. Voltei para fazer meu nome na história desse clube e também voltar ao cenário nacional. Depois dessa goleada, as coisas vão começar a acontecer'', afirmou, já dentro do Memorial.
Ele lembra dos gols que fez. ''Quando aquela bola apareceu na minha frente logo no começo do jogo, nem acreditei direito. Estava fácil demais, e eu tinha de fazer. Para chegar mais rápido, pulei no chão, foi meio de carrinho, mas valeu a pena.''
O segundo gol, um chute forte com o pé esquerdo, pode ter dado aos corintianos a idéia de que seu time contratou um jogador que tem as mesmas qualidades com a direita ou a esquerda. Com sinceridade, ele desmente. ''A canhota ainda é apenas para pegar ônibus, mas não tinha outro jeito. Tinha de ser com a esquerda mesmo, e enchi o pé. Deu certo'', disse.
A volta ao Brasil, depois de seis anos, começa a valer a pena. ''Lá era bom, mas a língua atrapalha. Minha mulher aprendeu a falar russo antes de mim, é difícil.''

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