Com fôlego para o apito
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sábado, 21 de janeiro de 2017
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 

Após encerrar uma carreira de 14 anos de sucesso no quadro de árbitros da Fifa, o londrinense Heber Roberto Lopes projeta apitar por mais cinco anos e atingir a marca de 500 jogos na Série A do Campeonato Brasileiro. Com contrato até o final do ano com a Federação Catarinense de Futebol (FCF), o árbitro descarta voltar a trabalhar no Paraná e revelou, em entrevista a FOLHA, o convite para integrar a Comissão Nacional de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Heber completa 45 anos em julho e ainda poderia apitar no quadro internacional até o fim de 2017, mas preferiu abrir mão da vaga em prol do paranaense Rodolpho Toski Marques. "Entendi que seria interessante para ele já entrar no quadro do que ficar mais um ano como aspirante. Saí no momento ideal, pela porta da frente".
A satisfação do dever cumprido se reflete nos números. Foram 103 jogos internacionais pela Fifa e Conmebol, sete torneios, dos quais dois mundiais, além de apitar jogos decisivos e finais da Sul-americana, Libertadores e Copa América. Heber dirigiu a decisão da Copa América Centenária no ano passado entre Argentina e Chile, que terminou com título chileno nos pênaltis. "O balanço foi muito positivo até porque é muito difícil atingir uma marca centenária nas escalas internacionais. Dou muito valor também pelo fato da arbitragem ter me dado a oportunidade de conhecer muitos países e outras culturas", frisou.
Se faltou uma Copa do Mundo no currículo, o árbitro que saiu da Vila Recreio não lamenta. "Tive o prazer de disputar a chance de ir para a Copa com grandes árbitros e se isso não aconteceu só mostra o quanto é difícil chegar lá. Não fico em nenhum momento chateado", garante. Em 2016, Heber completou 22 anos como árbitro.
A prorrogação autorizada pela Fifa para que os árbitros possam trabalhar até os 50 anos em competições nacionais, mudou planos do apitador. "Eu iria trabalhar no Catarinense e, a partir do Brasileiro, tinha recebido um convite para participar da Comissão Nacional de Arbitragem. Estava analisando esta situação", revelou. "Mas, diante desta possibilidade eu tenho interesse em seguir apitando até os 50 anos. Acredito que posso me manter bem fisicamente".
Um dos objetivos é atingir a marca de 500 jogos na Série A do Campeonato Brasileira. Héber hoje já é o recordista nacional com 319 partidas e ultrapassou Arnaldo Cezar Coelho. Com este novo desafio pela frente, o árbitro, que é estudante do curso de jornalismo, descarta, a curto prazo, trabalhar como comentarista de arbitragem.
Em relação ao seu substituto no quadro da Fifa, Heber é só elogios a Rodolpho Toski Marques, 29 anos, mas alerta sobre a necessidade de manter os pés no chão. "O primeiro ano é o mais complicado e as vezes o escudo sobe um pouquinho na cabeça. Aconteceu comigo e com tantos outros. É preciso ter maturidade e também o acompanhamento da Comissão para que ele carimbe o escudo e possar continuar por muito tempo", ressaltou.
RETORNO
Morando em Itapema desde 2013, quando se transferiu para a Federação Catarinense, Heber garantiu seu retorno a Londrina ao fim da carreira. "Voltarei com certeza para Londrina. Todos os meus amigos estão aí". Já sobre a possibilidade de voltar a apitar pela Federação Paranaense de Futebol (FPF), o londrinense descartou qualquer chance.
"Apitei 18 anos na Federação Paranaense e sou grato por tudo que consegui através da Comissão Estadual, mas quando vim para Santa Catarina vim com a intenção de encerrar a carreira aqui. Esta possibilidade de voltar não vai ocorrer", garantiu.


