Quando o jogador de futebol tira sua camisa suja e suada após as partidas, entra em campo um outro time, sempre no anonimato, mas fundamental para todos os clubes. São as lavadeiras, que após os treinos e jogos oficiais cuidam da limpeza de todo material e os deixam limpos para mais uma rodada.
No Coritiba são três responsáveis pela limpeza dos uniformes das divisões de base e dos profissionais. Vardelice Siqueira Dutra, 47 anos, Rosimeire Estevão, 33 anos e Irene Oliveira Melo, 48 anos; enxaguam, lavam e passam 450 peças diariamente. Para isso são consumidos 60 quilos de detergente, 40 quilos de pasta e 40 quilos mensais de cloro.
A lavanderia atende os times juvenis, juniores e profissionais do Alviverde, além das roupas de quarto e pessoais dos atletas que realizam testes no clube e residem nos alojamentos. O processo de limpeza das roupas leva em média três horas.
‘‘Hoje em dia o serviço ficou mais fácil, por causa das máquinas de lavar roupa e secadoras. Antes nós tínhamos que lavar tudo em tanques e o trabalho era dobrado, principalmente nessa época de inverno’’, lembra Vardelice, que lava os uniformes do clube há sete anos.
Segundo ela, alguns jogadores são bastante exigentes, mas nunca teve problema com algum deles. ‘‘O nosso controle é muito grande, sabemos da importância de um uniforme e da limpeza que ele deve ter. Como as camisas e meias são brancas, seria imperdoável qualquer tipo de mancha’’, afirma.
Durante o inverno, a limpeza dos uniformes fica mais complicada. ‘‘Por causa do frio, os jogadores usam moletons e agasalhos, e com as chuvas os uniformes ficam cheios de barro’’, afirmou Irene Melo, dois anos e oito meses no clube.
Os uniformes são levados pelos roupeiros, que cuidam da organização e distribuição das peças aos jogadores. Quando há treinos em dois períodos, o ritmo aumenta. São duas entregas diárias que muitas vezes exigem horas extras. Ao chegarem às sete horas, encontram as roupas na lavanderia e a partir daí iniciam a rotina.
Em sua casa, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), Vardelice não tem máquina de lavar. Ela mora com o marido, Oséas Dutra e dois filhos, Leandro e Lauro, que costumam jogar futebol nos finais de semana.
‘‘Lá (casa) o trabalho fica mais díficil porque o único recurso é o tanque. Mesmo assim eles ficam com a roupa bem limpa’’, afirma Vardelice.

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