Porto Alegre - O São Paulo é um time brigador. Pode até não estar numa tarde inspirada e errar mais do que o normal. Mas raça não falta aos jogadores. Ontem, no Beira-Rio, o time, cansado da difícil vitória sobre o Boca Juniors no meio da semana, pela Copa Sul-Americana, enfrentou o Internacional e, após sofrer 1 a 0 ainda no primeiro tempo, parecia que não conseguiria a virada. Fez 2 a 1 no segundo tempo e chegou a 16 partidas de invencibilidade no Campeonato Brasileiro, mantendo ampla vantagem sobre o Cruzeiro. O pentacampeonato está cada vez mais próximo, faltando ainda 10 rodadas para o fim da competição.
A última derrota do São Paulo no Brasileiro foi no dia 18 de julho, no Morumbi: 1 a 0 para o Fluminense. Desde lá, o time de Muricy Ramalho venceu 14 vezes e empatou apenas duas. Nesse meio tempo, sofreu um revés para o Boca Juniors, por 2 a 1, há 10 dias, no jogo de ida da Copa Sul-Americana, em Buenos Aires. Na última quarta-feira, os são-paulinos correram dobrado e fizeram 1 a 0 nos argentinos, classificando-se para a fase seguinte. O jogo foi desgastante. Assim como a partida do Beira-Rio. Correria, mais uma vez.
No Beira-Rio, o São Paulo falhou onde não costuma errar: no setor defensivo. Aos 21 minutos, bola alçada na área e o uruguaio Sorondo, livre, subiu para anotar seu primeiro gol na competição. O Inter nem teve muito tempo para comemorar, já que no minuto seguinte o zagueiro Índio foi expulso. Era a chance que o São Paulo precisava para tentar a virada.
Mas os donos da casa se fecharam bem e não deixaram o adversário levar perigo ao gol de Clemer no primeiro tempo e, nos contra-ataques, quase chegaram ao segundo - Fernandão chutou e a bola passou rente à trave direita de Rogério Ceni.
''A gente sabia que eles iriam adiantar a marcação e isso dificultou nossa saída de bola'', disse Jorge Wagner no intervalo. A preocupação não estava apenas do lado são-paulino. Os jogadores do Inter sabiam que a segunda etapa seria mais complicada do que a primeira. ''Já é difícil jogar com 11 contra eles, imagina com 10'', disse o técnico Abel Braga. ''Vamos tentar ser heróis, ganhar deles não é fácil.''
A partida ganhou tons dramáticos no segundo tempo. Os dois times abusaram das faltas, das reclamações, e atuaram como se fosse final de campeonato. O Inter, bem fechado, apostou nos contra-ataques e teve pelo menos duas boas chances de balançar as redes, com GuiÀazu e Fernandão.
Já o São Paulo, com maior posse de bola, não conseguia se livrar da marcação adversária. Mostrou nervosismo em campo. Mas demonstrou também ter estrela. O atacante Diego Tardelli cruzou da direita e Edinho marcou contra, aos 28 minutos. Borges marcou o segundo aos 32 e, depois, Rogério Ceni salvou o que seria gol de empate do Inter, em bela defesa num chute de Fernandão.

EM PORTO ALEGRE

Inter 1

Clemer; Elder Granja, Índio, Sorondo e Alex; Edinho, Wellington Monteiro, Magrão (Magal) e GuiÀazu; Fernandão e Gil (Adriano). Técnico: Abel Braga

São Paulo 2

Rogério Ceni; Alex Silva, Breno e Miranda; Souza (Zé Luís), Richarlyson, Hernanes, Leandro (André Dias) e Jorge Wagner; Dagoberto (Diego Tardelli) e Borges. Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Alício Pena Júnior (Fifa-MG)
Estádio: Beira Rio
Gols: Sorondo, aos 21 minutos do 1º tempo; Edinho, contra, aos 28, e Borges, aos 33 minutos do 2º tempo
Expulsão: Índio

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