Apesar de não ter a maior delegação da história – a equipe contará com 204 pessoas, contra 225 que estiveram em Atlanta-96 –, o Brasil vai tentar uma façanha a partir do dia 15 em Sydney: superar as 15 medalhas ganhas nos Jogos do Centenário, há quatro anos, nos Estados Unidos, a melhor campanha do País na história das Olimpíadas.
A equipe brasileira terá representantes em 20 dos 28 esportes e em 29 das 40 modalidades que estão programadas para os Jogos da Austrália. Para alcançar o objetivo, muitos integrantes da delegação terão de se superar, o que não será novidade. Afinal, o trajeto dos atletas, da iniciação esportiva até a convocação para uma olimpíada, não é nada fácil.
Em alguns casos, porém, o caminho é especialmente árduo por causa dos graves problemas sociais e da falta de política e de infra-estrutura esportivas. Alguns atletas têm de lutar até mesmo pela sobrevivência, antes de se dedicar à prática de esportes.
O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, o jogador de vôlei Giba, o zagueiro Álvaro, o judoca Mário Sabino, o cavaleiro Rodrigo Pessoa e o velejador Robert Scheidt são alguns dos integrantes da delegação brasileira que participará dos Jogos de Sydney. Eles foram eleitos como personagens pela Agência Estado e terão suas histórias contadas nas próximas páginas.
Candidatos ao pódio – O Brasil tem um seleto grupo de atletas que vai brigar por medalhas na Olimpíada. O cavaleiro Rodrigo Pessoa, o iatista Robert Scheidt, o tenista Gustavo Kuerten, o velocista Claudinei Quirino, o maratonista Vanderlei Cordeiro, o nadador Gustavo Borges, os velejadores Torben Grael/Marcelo Ferreira e os jogadores de vôlei de praia Adriana Behar/Shelda e Zé Marco/Ricardo estão entre os principais candidatos.
Nos esportes coletivos, o futebol buscará a primeira medalha de ouro olímpica da história, com um time sub-23, orientado por Wanderley Luxemburgo. As seleções masculina e feminina de vôlei e a feminina de basquete também têm chance de obter um lugar no pódio.
Nos Jogos de Atlanta, o Brasil quebrou um recorde histórico ao conquistar 15 medalhas – 3 de ouro, 3 de prata e 9 de bronze. Em 80 anos de participação olímpica, o País soma 54 medalhas (12 de ouro, 13 de prata e 29 de bronze). O brasileiro mais premiado é Adhemar Ferreira da Silva, ganhador de duas medalhas de ouro na prova do salto triplo: em 1952, em Helsinque e em 1956, em Melbourne.
Adhemar é um dos maiores fenômenos do esporte nacional. Ele é um representante da capacidade do País de revelar talentos sem nenhuma estrutura oficial. Na mesma prova, dois outros fenômenos brilharam em olimpíadas: Nélson Prudêncio (prata na Cidade do México, em 1968, e bronze em Munique, em 1972) e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (bronze em Montreal, em 1976, e em Moscou, em 1980).
Medalhas – O atletismo é o esporte com o maior número de medalhas: 11 (3 de ouro, 2 de prata e 6 de bronze). O iatismo tem dez medalhas, sendo quatro de ouro, uma de prata e cinco de bronze. Para os Jogos de Sydney, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), responsável pela formação da equipe, investiu R$ 23 milhões na preparação e na participação da delegação no evento. A quantia é quase quatro vez maior do que o dinheiro gasto na Olimpíada de Atlanta. O esporte mais beneficiado com verbas foi o judô, que recebeu cerca de R$ 650 mil.

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