Barcelona - De comportamento contido na Ferrari a exagerado na Honda, o piloto Rubens Barrichello nunca se mostrou tão descontraído na Fórmula 1, como nesta sua fase de adaptação à nova equipe. Ontem, durante o lançamento do carro da temporada de 2006, o RA106, no Circuito de Barcelona, o brasileiro não escondeu a lua-de-mel que vive com os companheiros e chegou até a revelar já ter vivido no time japonês o melhor momento de sua carreira, neste primeiro mês de trabalho.
''Ver os dois carros saindo juntos hoje (ontem) para a pista foi o melhor momento da minha carreira'', festejou Barrichello, em alusão ao fato de a Honda ter preparado um carro para cada piloto. Em sua antiga equipe, a Ferrari, o brasileiro na maioria das vezes foi obrigado a começar os testes de início de temporada ao volante de um modelo antigo, enquanto seu companheiro Michael Schumacher era privilegiado com a nova versão.
Sobre seu desempenho nos testes em Barcelona, Barrichello explicou estar no período de adaptação ao carro. Ontem, com o RA106 chegou a rodar na pista, mas fez o quinto tempo, 1min16s737 em 51 voltas dos 13 que participam dos testes. No entanto, voltou a ser superado por seu companheiro de equipe, Jenson Button, o terceiro, 1min16s578 72 voltas. O melhor do dia foi o também brasileiro, Felipe Massa, com a Ferrari de 2004 adaptada com o motor V8, 1min15s664 67 voltas.
Barrichello ressaltou que ainda precisa conhecer detalhes do carro, mas afirmou que sua impressão é ''muito boa''. Por isso, nem mesmo o fato de ter sido novamente superado por Button deixou-o temeroso quanto a possibilidade de enfrentar problemas de convivência com o companheiro. ''Vamos conversar muito sobre o carro e procuraremos resolver os problemas juntos'', disse Barrichello. ''Tem sido legal trabalhar com ele.''
O chefe Executivo da Honda, Nick Fry, disse não temer por uma possível rixa entre Barrichello e Button. Frisou que não existirá primeiro ou segundo piloto na equipe, porque ambos receberão o mesmo equipamento e idênticas condições para vencerem corridas. ''Com Rubens e Janson formamos um dos melhores times de pilotos da Fórmula 1. São profissionais, amigos e decentes'', disse Fry. ''O meu trabalho é fazer os dois atingirem o máximo.''
Além de Barrichello, a Honda tem outro brasileiro em seu primeiro escalão, o diretor esportivo e ex-piloto Gil de Ferran. De acordo com ele, não existe a possibilidade de um dos dois pilotos ser beneficiado dentro da equipe. ''No ano passado quando a diferença entre eles (Button e Takuma Sato) foi maior, ambos receberam o mesmo tratamento'', contou o diretor esportivo.

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