São Paulo, 17 (AE) - Ele é jovem, humilde e adorado pelos torcedores do Palmeiras. Não gosta do status de santo, apesar de ser extremamente religioso. Prefere dividir as glórias e as responsabilidades do futebol com os companheiros. Na vitoriosa campanha alviverde na Taça Libertadores, o goleiro Marcos foi fundamental. "O esforço, enfim, valeu a pena", disse o novo titular da equipe, referindo-se aos longos anos de trabalho na reserva de Velloso, um velho amigo.
Desde 1993, Marcos perseguia uma oportunidade de mostrar seu talento.
Era, no entanto, apenas um garoto em busca de sucesso, revelado pelo Lençoense, pequeno clube do interior paulista. Chegou ao Palestra Itália um ano antes, na categoria júnior. "Tive paciência para atingir a tão sonhada glória", revelou Marcos. Hoje, aos 25 anos, depois de ter conquistado o inédito título continental para o Palmeiras, o goleiro finalmente recebeu da torcida e da diretoria do clube o reconhecimento pela sua árdua dedicação. Arrancou elogios do técnico Luiz Felipe Scolari e foi presenteado pela Toyota, empresa patrocinadora da Libertadores, com um carro no valor de R$ 40 mil como prêmio por ter sido considerado o melhor jogador do torneio.
"Vou conversar com os demais jogadores para saber o que farei com o veículo", contou o goleiro, empolgado com o prêmio. Caso os companheiros sejam unânimes sobre o futuro do carro, o goleiro poderá desfrutar do presente sozinho, sem ter de reparti-lo com os outros atletas.
O zagueiro Júnior Baiano, o meia Zinho e o atacante Paulo Nunes já abriram mão de sua fatia do prêmio. Marcos ganhou notoriedade nas fases decisivas da Libertadores, com importantes defesas diante do rival Corinthians, do River Plate, da Argentina, e do Deportivo, da Colômbia.
Hoje à tarde, antes de seguir para o Palestra Itália, onde a equipe participou de uma sessão de hidroginástica, Marcos visitou o filho Luca, de apenas dois meses. A família, de Oriente, interior do Estado, sempre foi a principal incentivadora de seu trabalho. Tanto apoio lhe rendeu uma convocação para a seleção brasileira, com Zagallo, em 1996, para um amistoso diante da Lituânia.
Mesmo não tendo sido lembrado por Wanderley Luxemburgo para a Copa América, Marcos não esconde o sonho de voltar à seleção, com paciência e humildade, suas conhecidas características. "Hoje, existem bons goleiros em condições de ajudar o Brasil, como o Dida e o Carlos Germano", analisou. "O importante é saber esperar, pois a minha hora vai chegar."

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