Indianápolis - ... e todos viveram felizes para sempre. Assim termina a fábula entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello que começou no GP da Áustria, este ano, e teve seu desenlace ontem no GP dos Estados Unidos. O brasileiro recebeu de volta em Indianápolis, na 16ªe penúltima etapa do Mundial, o favor prestado a Michael Schumacher, companheiro de Ferrari, ainda na sexta corrida do ano, no circuito A1 Ring, quando parou seu carro próximo já da linha de chegada, para espanto de todos, a fim de deixar o alemão vencer. Agora foi a vez de Michael retribuir, embora tudo possa ter sido também um grande mal-entendido.
  Com a quarta vitória na temporada Barrichello garantiu o vice-campeonato. ‘‘Entrei na última curva e de repente o Michael reduziu a velocidade, emparelhamos mas ele não me olhava. Não sabia o que fazer, está me deixando passar ou não?’’, explicou Barrichello. ‘‘Aí ele brecou. Pensei comigo então que estava me deixando passar. Sei que muita gente vai falar muito sobre o que aconteceu, mas me sinto feliz’’, falou Barrichello. ‘‘Um dia vi o Ayrton Senna deixar o Gerhard Barger ultrapassá-lo também na linha de chegada (GP do Japão de 1991) e o Berger não tinha feito nada por ele. Eu hoje reganhei o GP da Áustria.’’ Para Barrichello não há o que discutir: ‘‘Estamos zero a zero quanto a um deixar o outro passar.’’
  Segundo Schumacher, no entanto, ao menos no início da entrevista coletiva – depois mudou o discurso –, o objetivo era outro. ‘‘Cruzarmos exatamente juntos, mas acho que cometemos um erro.’’ Os dois quase cumpriram o plano do alemão não fosse o bico do histórico modelo F2002 da Ferrari de Barrichello passar 11 centésimos de segundo antes do de Schumacher. Provavelmente não era o que o alemão esperava, daí também se acreditar em mal-entendido, em que pese a postura contrária do campeão do mundo depois.
  Pela primeira vez desde que a dupla Schumacher-Barrichello corre junto, o GP da Austrália de 2000, os dois tiveram liberdade para disputar a vitória. O alemão largou na pole e Barrichello em segundo. ‘‘Dei tudo o tempo todo para tentar passá-lo e depois do primeiro pit stop tive até uma chance de chegar bem perto, mas o Michael pegou um vácuo e conseguiu abrir um pouco’’, disse Barrichello. A maior diferença entre ambos até a 73ªe última volta não passou de 3 segundos, atribuída pelo brasileiro ao tráfego. ‘‘Quase bati algumas vezes.’’

mockup