Melbourne - Nunca foi tão favorável para a ginasta Daiane dos Santos se sagrar campeã como agora no Mundial realizado na Austrália. A atleta gaúcha, embalada pelo ''Brasileirinho'', obteve ontem o primeiro lugar na fase de classificação, com 9,550 e, de quebra, viu suas maiores rivais ficarem fora da final de domingo. ''Esse Mundial, teoricamente, é mais fácil para mim, pois tenho que me preocupar só com o solo, diferentemente de 2003, quando tive que atuar em outros aparelhos para ajudar a equipe'', afirma Daiane, que foi uma das primeiras a se apresentar entre as 74 ginastas na Rod Laver Arena.
Anunciada pelo locutor do ginásio como a ''fantástica Daiane dos Santos'', ela viu cair uma a uma suas adversárias: a romena Catalina Ponor (nota 9,2), campeã olímpica no solo, a francesa Isabelle Severino (9,212), detentora do título europeu, e a chinesa Fei Cheng (8,637), que tinha acrobacias exclusivas, mas falhou. ''Apesar disso, não significa que a final será fácil. Tenho que acertar a série'', avaliou Daiane.
O desempenho dela amenizou a ausência de Laís Souza, que voltou a sentir a contusão na perna direita e ''preferiu abrir mão do Mundial a arriscar se contundir mais seriamente''. Agora, caberá a Daiane justificar o otimismo e o investimento de R$ 150 mil da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) para estar no Mundial.
Diferentemente de 2003, quando foi à final em Anaheim com a terceira maior nota e sem reconhecimento internacional, Daiane tem agora a seu favor a liderança do ranking e uma invencibilidade de quase um ano no solo, iniciada na finalíssima da Copa do Mundo, em Birmingham.
Caso vença no domingo, ela irá ampliar a vantagem que hoje é de 119,60 pontos sobre Catalina Ponor, que ontem competiu de novo visual está loira e, aparentemente fora do peso, avançou à final da trave, com 9,562.
Porém, além de acertar a série, Daiane terá pela frente as norte-americanas Alicia Sacramone e Anastasia Liukin, que ficaram só a 0,5 e a 0,75 ponto da nota da brasileira. E os EUA dominaram o dia, figurando em todas as finais. Outro destaque foi a australiana Monete Russo, que foi a três finais.
Quem também obteve passaporte para a decisão foi Daniele Hypólito, que conseguiu a 18das 24 vagas no individual geral. Após estrear com nota 9,087 a série ''Cidade Maravilhosa'' no solo, a atleta não foi bem na trave (8,187) e no salto (8,412), mas se recuperou nas paralelas (9,275). Ao todo, a brasileira somou 34,961 pontos, ficando a 2,463 da líder Liukin. A final será amanhã.

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