São Paulo - Na era da parceria internacional com a MSI, o Corinthians ''made in Itaquera'' (bairro da zona leste paulistana onde fica o CT da base do clube) nunca falou tão alto. O time, que está bem próximo do título Brasileiro, principalmente se passar pelo São Caetano hoje, às 21h45, é o que mais utiliza os atletas de suas categorias de base em comparação com as outras três equipes do clube que levantaram a taça do Nacional.
O Corinthians de 2005, mesmo amparado pelas estrelas milionárias trazidas por Kia Joorabchian, é mais caseiro do que os times de 1990, 1998 e 1999. Do elenco atual, 19 dos 32 atletas, ou 59,4%, vieram das categorias de base.
Em 1990, ano do primeiro título brasileiro do clube, os corintianos usaram 10 revelações no elenco de 26 atletas. Em 1998, do grupo de 22 comandado por Vanderlei Luxemburgo, seis eram da base.
No ano seguinte, o técnico Oswaldo de Oliveira tinha 10 de seus 28 jogadores formados no Parque São Jorge. ''Nós só estamos tendo sucesso por causa dessa base muito forte. A maioria já serviu as seleções brasileiras Sub-17, Sub-20. Esses jogadores milionários que chegaram só deram certo porque foram bem recebidos pelos que já estavam aqui'', afirmou Andrés Sanchez, vice de futebol do clube.
Dos 19 pratas-da-casa do time profissional corintiano, 16 são remanescentes da geração ''galáctica'' bicampeã da Copa São Paulo de juniores nos dois últimos anos. A maioria foi lançada em 2004 pelo técnico Tite por uma questão de necessidade. Antes da chegada da MSI, o clube vivia tempos de penúria financeira e apressou a profissionalização de atletas como Betão, Rosinei, Wendel, Coelho, Edson, Jô e Bruno Octávio.
O técnico Antônio Lopes, 64 anos, que pode se tornar o mais velho treinador a levantar a taça do Brasileiro, elogia os garotos. ''Esse time, apesar de jovem, demonstra enorme profissionalismo'', conta o treinador, que já trabalhou em 19 edições do torneio.
O planejamento da diretoria corintiana é ficar com suas revelações pelo menos até 2007. Por isso, no ano passado, alguns deles tiveram, em média, aumento de 15%. O tempo de vínculo foi ampliado entre 14 e 22 meses. Todos assinaram até 2007, menos Wendel, que acertou até 2006. A maioria dos salários varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil mensais.
Asa negra O apelido do São Caetano é Azulão, mas, sempre quando enfrenta o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, o time do ABC se torna a ''asa negra'' da equipe do Parque São Jorge. De todos os 21 adversários deste Nacional, é contra a agremiação de São Caetano do Sul que o clube corintiano tem seu pior histórico. Pelo Nacional, foram sete jogos, com uma vitória e seis derrotas um aproveitamento pífio de 14,2% dos pontos disputados. O único triunfo corintiano aconteceu no dia 1º de agosto de 2004 2 a 0, no Pacaembu.
No Estádio Anacleto Campanella, em Brasileiros, a situação é pior ainda: o Corinthians perdeu lá nas três vezes em que enfrentou o adversário. Fez só um gol, de falta, com o lateral Coelho, na derrota por 2 a 1, no dia 28 de novembro de 2004. Neste ano, no Pacaembu, no primeiro turno do torneio, novo revés: 2 a 0, em 6 de agosto.

EM SÃO CAETANO DO SUL

São Caetano
Sílvio Luís; Ricardo Lopes, Gustavo, Thiago e Triguinho; Zé Luís, Júlio César, Pingo e Márcio Richards; Edilson e Somália. Técnico: Cuca

Corinthians
Fábio Costa; Eduardo, Marinho, Betão e Gustavo Nery; Bruno Octávio, Marcelo Mattos, Rosinei e Carlos Alberto, Nilmar e Jô. Técnico: Antônio Lopes

Árbitro: Lourival Dias Lima Filho (BA)
Estádio: Anacleto Campanella
Horário: 21h45

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