Claudemir Scalone
De Londrina
O atacante londrinense Elber, do Bayern de Munique, pretende superar a má fase marcando pelo menos um gol pela Seleção Brasileira na partida de quarta-feira contra o Equador, às 21h40, no Morumbi, em São Paulo, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. O artilheiro, que não marca gols pelo Bayern há quatro partidas, quer pôr fim ao ‘jejum’ com uma boa atuação. ‘‘Sei que a pressão aí no Brasil é muito grande e estou com a corda no pescoço. Então, preciso fazer um gol para afrouxar essa corda’’, disse o jogador na última quinta-feira à Folha, por telefone, de Munique.
Elber foi criticado devido à sua apagada atuação no jogo de estréia nas Eliminatórias, dia 28 de março, contra a Colômbia, em Bogotá, que terminou no 0 a 0. A longa viagem de Alemanha até o Brasil e depois até a Colômbia, a altitude de Bogotá e a falta de entrosamento com Jardel, companheiro de ataque naquela partida, foram justificativas dadas pelo jogador pelo baixo rendimento. ‘‘Sei que posso fazer muito mais do que fiz naquele jogo. O professor (o técnico Wanderley Luxemburgo) imaginou que a Colômbia fosse vir para cima do Brasil e decidiu me colocar ao lado de Jardel no ataque pensando em explorar as jogadas aéreas. Só que a Colômbia ficou atrás e dificultou as nossas jogadas’’, lamenta ele.
A sua atual fase no Bayern de Munique também não agrada ao atacante de 27 anos, que completou mês passado um ano de uma delicada cirurgia no joelho esquerdo. ‘‘Estamos jogando diferente do ano passado. Não sei se é porque há vários jogadores machucados. Só sei que não tenho recebido bolas em condições de fazer gols’’, explica Elber, que é o terceiro goleador do Campeonato Alemão com 11 gols. ‘‘E olha que não pude jogar em todas as partidas’’, reforça ele, lembrando que só a partir de janeiro ganhou a chance de iniciar as partidas pelo Bayern.
‘‘Fiquei muito tempo no banco de reservas devido à contusão. Agora, estou satisfeito. Sei que não é fácil jogar como antes da operação. Mas espero terminar logo com essa fase ruim’’, diz Elber, antevendo um bom sinal no fato de enfrentar o Equador, contra o qual marcou três gols em sua estréia na Seleção Brasileira. ‘‘Sei que a situação é diferente e no futebol não existe mais ninguém bobo de bola. Mas espero jogar bem.’’
O fato de jogar em São Paulo, onde a presença da torcida do Corinthians pode determinar uma forte pressão pela entrada do atacante Edílson, não assusta Elber. ‘‘Não temo pressão de torcida nenhuma. Vou provar o meu trabalho dentro de campo e incentivando meus companheiros. Se fosse me preocupar com isso nem dormiria. A cobrança existe em todo lugar e tenho de conviver com isso’’, afirma ele, convicto.
Elber ficou chocado também com a brutal contusão do atacante Ronaldo, da Inter de Milão, ocorrida há duas semanas. ‘‘Foi triste. Deu até vontade de chorar quando vi o lance pela TV’’, conta o jogador, que lembrou-se do drama vivido no dia 13 de março do ano passado, quando lesionou o seu joelho.
‘‘Depois de dois, três meses, começa o sufoco. Você vê os companheiros em campo e quer jogar. É preciso ter muita força de vontade e seguir o trabalho de reabilitação. Sempre pensava que tudo dependia de mim, da minha força’’, descreve ele, que considera importante Ronaldo não criar expectativa pela sua volta ao futebol. ‘‘Não adianta você colocar uma data para voltar. Você tem que ir passando etapa por etapa e voltar quando estiver bem.’’
Elber, que apresentou-se à Seleção com um dia de antecedência, sentiu também não poder defender ontem o Bayern contra o Dortmund pelo Campeonato Alemão. Os dirigentes de seu clube até tentaram liberá-lo junto à CBF. ‘‘Seria muito ruim pra mim me apresentar à seleção somente na segunda-feira’’, reconhece o atacante. Faltando quatro rodadas para o fim da competição, o time de Munique é o segundo colocado com três pontos atrás do líder Bayer Leverkusen e o atacante londrinense gostaria de ajudar seu time a buscar o bicampeonato. Na temporada 98/99, o jogador estava se recuperando da contusão no joelho e assistiu das tribunas à festa do título do Bayern. ‘‘Agora, quero ganhar o título dentro de campo.’’
Candinho – O consultor-técnico da seleção brasileira, José Candido Sotto Mayor, o Candinho, deixou claro ontem que o treinador Wanderley Luxemburgo não vai fazer concessões aos clubes durante a disputa das eliminatórias para o Mundial de 2002. Candinho saiu em defesa de Luxemburgo, muito criticado por dirigentes do Flamengo, Atlético-MG e Grêmio, por não ter liberado atletas desses clubes para jogos do fim de semana pelos campeonatos do Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. ‘‘Quem tem boa memória sabe que o Wanderley repetiu várias vezes que não abriria mão de nenhum jogador para as eliminatórias; apenas em amistosos’’, afirmou Candinho, reforçando que as federações estaduais não deveriam marcar jogos importantes para as datas das partidas do Brasil.
(Colaborou Agência Estado)

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